No Dia Mundial de Combate à Tuberculose, hoje, é preciso lembrar: no Brasil, a doença ainda mata. E segue atingindo desproporcionalmente as pessoas que já tem seus direitos negados. Ela expõe, de forma brutal, a exclusão social que persiste no país, atingindo de modo desproporcional quem vive em favelas, em situação de rua e no cárcere, além de povos indígenas e comunidades tradicionais.

Produzida pelo Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual – GTPI, a Tabela Política de Medicamentos para Tuberculose escancara um problema: o país paga mais caro por medicamentos essenciais, inclusive nos tratamentos mais simples da doença, com medicamentos antigos e amplamente produzidos no mundo. Nos casos de tuberculose resistente, essa diferença é ainda mais expressiva, pressionando o orçamento público e impactando o Sistema Único de Saúde – SUS.

Quando o Estado paga caro, falta recurso para ampliar o cuidado e o acesso ao tratamento fica ainda mais limitado, especialmente para quem mais precisa. Esses custos elevados não são inevitáveis. Eles refletem monopólios, pouca concorrência e escolhas políticas que poderiam ser diferentes. Produzir medicamentos essenciais no país, como a bedaquilina, é uma estratégia possível para reduzir preços, garantir abastecimento e fortalecer o SUS.