A defesa da vida sempre orientou nossa atuação. Betinho nos ensinou que democracia, cidadania, solidariedade e justiça social não podem ser separadas. Herbert Daniel nos ensinou a enfrentar a morte civil, o estigma e toda forma de exclusão. Com eles, e com tantas outras pessoas que fizeram da luta pela saúde, pelos direitos humanos e pela democracia um compromisso de vida, aprendemos que defender a vida é também transformar a sociedade. 

É a partir desse mesmo compromisso ético e político que nos posicionamos hoje.  

Apoiamos a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. 

Esse posicionamento não significa adesão acrítica ao governo Lula, nem suspende nossa capacidade de cobrar, denunciar, divergir e exigir avanços. Ele expressa uma escolha política diante de um momento em que estão em disputa direitos sociais, a saúde pública, a democracia, a soberania nacional e o próprio compromisso do Estado com a proteção da vida. 

Não esquecemos a pandemia de Covid-19. Não esquecemos o negacionismo, a desinformação sobre as vacinas, os ataques à ciência e o desprezo pelas medidas capazes de proteger vidas. Lembramos das pessoas que morreram sem oxigênio, da demora na aquisição de vacinas e da promoção de tratamentos sem eficácia. 

Também não esquecemos a queda das coberturas vacinais e a reintrodução de doenças que o país havia conseguido controlar. Tampouco esquecemos o enfraquecimento das políticas de cuidado e prevenção ao HIV e às populações LGBTQIA+, marcado, entre outros retrocessos, pela extinção do departamento de HIV/AIDS, um símbolo da política pública brasileira reconhecido internacionalmente, e sua substituição por uma nova estrutura.  Não esquecemos, ainda, o negacionismo diante da crise climática, cujos efeitos recaem de forma mais brutal sobre quem já vive em condições de maior vulnerabilidade.  

Não podemos aceitar a volta de uma política que naturaliza mortes evitáveis, transforma direitos em despesas, despreza a vida e coloca interesses privados e o lucro acima da saúde, da dignidade humana e do bem comum. 

Defendemos a saúde como um direito humano inegociável, o SUS público, universal, integral e equitativo. Defendemos a vacinação, a ciência, a prevenção, o acesso universal a medicamentos, a participação social e o respeito às diferenças. Defendemos as mulheres, as crianças, as pessoas vivendo com HIV, as pessoas LGBTQIA+, negras, indígenas, com deficiência e todas aquelas cujas vidas e direitos são historicamente ameaçados. 

Defender a vida significa também enfrentar as condições sociais que produzem doença, sofrimento e morte.  

Por isso, reconhecemos a importância do Programa Brasil Saudável – Unir para Cuidar, instituído em 2024, a partir de uma articulação interministerial para o enfrentamento de doenças determinadas socialmente e suas causas, articulando saúde, renda, moradia, saneamento, educação e direitos humanos. Reconhecemos também a recuperação das coberturas vacinais, o fortalecimento do Farmácia Popular e outras políticas públicas que recolocam o cuidado e a proteção da vida no centro da ação do Estado.  

Esses avanços não podem ser interrompidos. 

Vamos continuar cobrando financiamento adequado para o SUS, transparência, participação social, acesso universal às tecnologias de saúde, produção pública, soberania sanitária e o enfrentamento de patentes, monopólios e preços abusivos. 

Continuaremos defendendo a ciência diante do obscurantismo, a vacinação diante da desinformação, a justiça climática diante do negacionismo e os direitos humanos diante de qualquer tentativa de excluir, discriminar ou transformar pessoas em descartáveis. 

Nenhuma vida vale menos. Defender o SUS, a democracia e a soberania é defender o direito de todas as pessoas a um futuro digno. 

LULA 13