O avanço da resposta ao HIV na América Latina e Caribe passa, necessariamente, pelo fortalecimento das políticas públicas de saúde, da soberania sanitária e do enfrentamento às barreiras impostas pela propriedade intelectual. Entre os dias 18 e 20 de maio, o Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual (GTPI) participou do LATCA CAB 2026 (Consejo Asesor Comunitario para América Latina y el Caribe), encontro regional voltado ao debate sobre prioridades comunitárias no acesso ao tratamento do HIV e de outras infecções relacionadas. A participação do GTPI contou com a presença da médica infectologista e especialista em advocacy Fernanda Rick. 

Durante o evento, realizado em Bogotá, Colômbia, foram discutidos os desafios políticos, econômicos e sociais que impactam a sustentabilidade da resposta ao HIV na região. A contribuição do GTPI destacou o contexto brasileiro, marcado tanto pelos avanços históricos do Sistema Único de Saúde (SUS), como o acesso universal ao tratamento e a eliminação da transmissão vertical do HIV, quanto pelas desigualdades sociais e raciais que seguem alimentando a epidemia. Também foram debatidos os impactos das patentes farmacêuticas na ampliação do acesso a medicamentos estratégicos, especialmente diante dos altos preços impostos por monopólios sobre tecnologias como cabotegravir e lenacapavir. 

Outro ponto central das discussões foi o cenário aberto pelo fim da patente do dolutegravir em 2026. A medida representa uma oportunidade estratégica para ampliar a produção nacional de medicamentos, reduzir custos para o SUS e fortalecer a autonomia tecnológica do Brasil. No debate promovido pelas coalizões ITPC LATCA e Make Medicines Affordable, o GTPI reforçou a importância de garantir que a inovação científica esteja comprometida com o direito à saúde e com o acesso universal, e não subordinada exclusivamente à lógica de mercado. 

O fortalecimento das articulações comunitárias e da cooperação regional na América Latina e Caribe segue sendo fundamental para transformar avanços científicos em acesso equitativo a tratamentos e tecnologias em saúde. A participação do GTPI no LATCA CAB 2026 reafirma o compromisso da organização com a defesa do SUS, da soberania sanitária e do acesso universal a medicamentos.