Elaborada pelo GTPI/Rebrip e pela ABIA, a Tabela Política é uma ferramenta de análise crítica que permite visualizar, de forma simples e comparável, como os monopólios farmacêuticos impactam o preço dos medicamentos, o orçamento público e, em última instância, o acesso ao tratamento pelo SUS. Ela organiza informações clínicas, econômicas e políticas em uma única matriz, permitindo identificar onde o Brasil paga a mais em comparação ao preço internacional do Global Fund (2025).

Os dados mostram que, mesmo em uma doença historicamente tratável e amplamente conhecida como a tuberculose, com medicamentos antigos, o Brasil segue pagando valores significativamente mais altos por diversos medicamentos, especialmente nos esquemas mais novos, para tuberculose resistente. Nos esquemas mais recentes e complexos, voltados à tuberculose resistente, o SUS paga valores várias vezes superiores aos de referência internacional — uma diferença decorrente não de custos produtivos, mas da concentração de mercado e da ausência de concorrência.

Em vários tratamentos, o SUS paga 2 a 3 vezes o menor preço internacional — mesmo quando o medicamento não está sob monopólio. Isso revela a dependência de poucos fornecedores e a fragilidade de mecanismos de negociação e transparência. A mensagem é clara: o SUS precisa negociar melhor, exigir transparência dos contratos e dos termos de transferência de tecnologia, e revisar criticamente PDPs antigas — como as de Farmanguinhos com a Lupin — para que a transferência de tecnologia resulte, de fato, em redução de custos e ampliação do acesso.

A Tabela Política 2025 reforça que o alto custo do tratamento da tuberculose no Brasil não é inevitável: ele resulta de escolhas políticas. Enfrentar esse cenário é essencial para fortalecer o SUS, garantir tratamento oportuno e avançar no controle da tuberculose como problema de saúde pública.

Acesse aqui: Tabela Política de Medicamentos para Tuberculose – 2025

Como ler a Tabela Política de Medicamentos para Tuberculose – 2025

Indicação e esquema de tratamento

As primeiras colunas mostram para qual condição clínica os medicamentos são indicados (TB sensível, TB resistente, TB-MDR, TB-XDR e TB latente) e qual é o esquema terapêutico recomendado pelo Ministério da Saúde.

Isso é importante porque permite comparar tratamentos equivalentes e entender que não se trata de escolhas arbitrárias de compra, mas de protocolos oficiais do SUS.

Posologia e tempo de tratamento

Aqui está descrita a dose diária e a duração total do tratamento, considerando um paciente adulto (70 kg).

Essa informação é fundamental porque o preço apresentado na tabela não é o preço de um comprimido, mas sim o custo total de tratar uma pessoa durante todo o esquema terapêutico.

Onde está o monopólio?

Em verde: medicamentos livre de monopólio

Em vermelho: medicamentos em situação de monopólio

Preço que o Brasil paga por tratamento

Esta é uma das colunas centrais da análise. Ela indica quanto o SUS desembolsa, na prática, para tratar um paciente, com base nos preços pagos nas compras públicas.

Menor preço internacional por tratamento

Esta coluna mostra quanto o mesmo tratamento custa em outros países, com base nos preços médios de aquisição do Global Fund (2025).

A comparação entre esta coluna e a anterior responde à pergunta política central da tabela:

o Brasil está pagando um preço justo?

Quando a diferença é grande, ela não se explica pelo custo de produção, mas por barreiras comerciais, monopólios e falta de concorrência.

Fornecedor ao Brasil

Aqui identificamos quem fornece o medicamento ao SUS: laboratórios públicos, empresas privadas nacionais, multinacionais ou distribuidoras.

Preço unitário nacional x preço unitário internacional

Essas colunas detalham o preço por comprimido ou unidade, tanto no Brasil quanto no mercado internacional.

Elas permitem mostrar que, mesmo quando o princípio ativo é antigo ou amplamente produzido, o Brasil pode estar pagando várias vezes mais por unidade.