outubro 2005

Novo remédio contra AIDS ajuda a combater a Malária

2016-02-02T20:46:02-03:00outubro 30, 2005|Categories: Acervo|

Um novo medicamento elaborado para proteger as pessoas com o HIV/Aids de infecções bacterianas perigosas também pode protegê-las contra a malária, segundo um estudo publicado no website Science and Development Network(SciDev.Net). Combinar tratamentos desta maneira poderia ser uma grande vantagem na África, onde muitas pessoas têm pouco ou nenhum acesso aos remédios para a malária. A equipe africana de pesquisadores diz que embora a droga não deva ser usada separadamente contra a malária, ela poderia salvar as vidas de milhares de africanos infectados com o HIV – especialmente mulheres grávidas – para quem a malária representa um risco de saúde enorme. Os pesquisadores, liderados por Mahamadou Thera na Universidade de Bamako, em Mali, publicaram suas descobertas online no Jornal de Doenças Infecciosas. A equipe conferiu o quanto a droga de preço acessível e amplamente disponível trimethoprim-sulfamethoxazole pôde prevenir a malária em 245 crianças de Mali que não tinham o HIV/Aids. Dois terços das crianças receberam o medicamento por 12 semanas; o outro terço não recebeu nada. A equipe mostrou que das 157 crianças que tomaram o trimethoprim-sulfamethoxazole, apenas uma desenvolveu a malária. Mas das 77 crianças que não tomaram o medicamento, 72 contraíram a malária. As crianças que tiveram acesso ao medicamento também tiveram menos doenças gastro-intestinais que o outro grupo. Um dos pesquisadores, Christopher Plowe, da Universidade da Escola de Medicina de Maryland, com sede nos Estados Unidos, contou ao SciDev.Net que a equipe não defendeu a utilização do trimethoprim-sulfamethoxazole sozinho para prevenir ou tratar a malária na África, particularmente pelo temor de criar mais resistência aos medicamentos. Entretanto, ele disse que e evidência da equipe sugere que as preocupações sobre resistência à droga não evitaria o uso amplamente difundido do trimethoprim-sulfamethoxazole nos portadores do HIV. Espera-se que a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgue em breve um manual para a utilização do medicamento na África. Enquanto isso,. Cientistas de laboratórios australianso dizem que descobriram outras drogas que podem frear tanto o HIV como a malária. Pesquisadores do Instituto Queensland de Pesquisa Médica estimaram o efeito de seis drogas comumente usadas contra o HIV sobre o parasita da malária - Plasmodium falciparum – em testes laboratoriais. Três dos medicamentos impediram o parasita de crescer, ao passo que três não tiveram efeito. As drogas bloquearam uma molécula importante do parasita e foram eficazes contra os parasitas da malária que são resistentes as drogas usadas atualmente, segundo um estudo no Jornal de Doenças Infecciosas. As drogas atualmente não fazem parte do tratamento de primeira linha do HIV nos países em desenvolvimento,” afirmou Stephen Rogerson, um pesquisador de malária da Universidade de Melbourne. “Por duas razões: custo e, em muitos casos, a necessidade de armazenamento das drogas em lugares frios.” No entanto, Rogerson contou ao SciDev.Net que “uma evidência crescente mostra que as pessoas infectadas dom o HIV respondem menos à terapia padrão de malária,’ sugerindo a necessidade de uma nova classe de medicamentos anti-malária especificamente para aqueles com o HIV. Embora os pesquisadores de Queensland não acreditem que estas drogas seriam a primeira escolha para tratar inicialmente os pacientes de malária, eles acham que identificaram uma fenda na armadura do parasita que poderia ser explorada para o desenvolvimento de novos remédios. Os pesquisadores dizem que não estão certos exatamente como as drogas agem contra o parasita da malária. Uma teoria que eles propõem é que os medicamentos inibem uma enzima que o parasita usa para digerir a hemoglobina, o pigmento do sangue humano que permite o transporte do oxigênio. O próximo passo, eles dizem, é testar estes resultados em pacientes que têm tanto o HIV como a malária para determinar como os medicamentos funcionam quando combinados com outros. (Tradução de Maurício Barreira) Fonte: http://www.agenciaaids.com.br/noticias-resultado.asp?Codigo=3910 Consultado em 15/02/2007

Comentários desativados em Novo remédio contra AIDS ajuda a combater a Malária

Ativistas dizem que o acordo com o laboratório Abbott não é a solução para a acessibilidade aos remédios e para o programa de aids brasileiro. Seguem defendendo o licenciamento compulsório

2016-02-02T20:46:02-03:00outubro 4, 2005|Categories: Acervo|

O acordo fixado entre o Ministério da Saúde e o laboratório norte-americano Abbott, que reduz o preço pago pelo Brasil do anti-retroviral Kaletra, de US$ 1,17 para US$ 0,63, não agradou ativistas do país. Anunciado na última segunda-feira, 3, na entrega do Primeiro Prêmio Nacional CEN Aids pelo ministro Saraiva Felipe, o acordo diminui o preço em quase 50%, mas não prevê transferência de tecnologia para a produção nacional do medicamento. Os ativistas do movimento de luta contra a Aids não vêem o acordo como uma solução definitiva, mas sim, como uma ação paliativa. A presidente do Fórum ONG/Aids da Paraíba, Elaine Bezerra, acredita que o governo quer, com o acordo, agradar aos dois lados, tanto o movimento social quanto o governo dos EUA. “Foi uma boa solução no ponto de vista político e do governo, porém não faz enfrentamento com os EUA e tenta agradar o movimento social”, afirmou Elaine. Para a presidente do Fórum ONG/Aids do Espírito Santo, Hélia Mara de Deus, a medida é paliativa. Ela ressaltou que só o licenciamento compulsório seria a solução. “A gente luta pela quebra de patentes. Queremos acreditar que isso é só uma medida paliativa. Até quando temos que ver eles reduzindo preços, sem tomar decisões e ações diretas?”, indagou Hélia Mara. Não tão incisivo, o presidente do Fórum ONG/Aids de Pernambuco, Wladimir Reis, defendeu o licenciamento compulsório, mas afirmou que a redução do preço é importante. “Acreditamos que uma ação mais direta venha. O licenciamento compulsório impulsionaria mais ainda o programa de Aids brasileiro, tão famoso lá fora. Com o licenciamento poderíamos fazer com que países mais pobres tenham um acesso melhor aos medicamentos”, afirmou. Wladimir ressaltou ainda a necessidade de um monitoramento dos medicamentos anti-aids que tiveram suas patentes vencidas e que já são produzidos no país. Segundo ele, é preciso verificar a razão da diferença do preço entre os medicamentos brasileiros e indianos. “É necessária uma avaliação periódica e sempre analisando a qualidade dos produtos fabricados no Brasil e na Índia. Além de descobrir o porquê da diferença do preço”, disse. Para o presidente do Fórum de ONG/Aids do Estado de São Paulo, Rubens Duda, o ministro da Saúde deveria consultar a sociedade civil antes de fechar o acordo com o laboratório. Caso o acordo não seja satisfatório, Duda assegurou que o fórum entrará com ação no Ministério Público, pois "não vai admitir que a luta contra Aids seja prejudica", disse. E acresentou: "estamos apreensivos. O tigre, além de estar sem dente, está cego porque está com fumaça nos olhos". Quando questionados sobre a capacidade dos laboratórios nacionais de produzirem os medicamentos no país, os três presidentes do fórum, apesar de não serem especialistas no assunto, concordam que o Brasil tem capacidade de produzir os anti-retrovirais. “Pelos debates do movimento, existe condição do Brasil produzir os medicamentos”, afirmou Elaine Bezerra. Para Wladimir Reis, que faz parte do comitê da vacina, só vale a pena se os produtos forem de qualidade e com preços bem acessíveis. “Os laboratórios colocam-se capazes de produzir os medicamentos com a qualidade necessária, mas tem que ser com preços acessíveis”, concluiu. Fonte: http://www.agenciaaids.com.br/noticias-resultado.asp?Codigo=3733 Acessado em 01/12/2006

Comentários desativados em Ativistas dizem que o acordo com o laboratório Abbott não é a solução para a acessibilidade aos remédios e para o programa de aids brasileiro. Seguem defendendo o licenciamento compulsório

Governo e Abbott se preparam para fechar acordo sobre Kaletra

2016-02-02T20:46:02-03:00outubro 4, 2005|Categories: Acervo|

Preço oferecido pelo laboratório para o antiaids é menor que o apresentado em negociações com ex-ministro. Depois de vários meses de negociação, um trato feito e, logo depois, desfeito, o Ministério da Saúde anuncia estar próximo de um acordo sobre o preço do antiaids Kaletra, do Laboratório Abbott. Ontem, o ministro da Saúde, Saraiva Felipe, informou que o novo contrato com o fabricante está prestes a ser formalizado. E, com ele, fica descartada a necessidade de quebra de patente do remédio, um dos mais caros anti-retrovirais usados no País. A convicção do ministro tem como ponto de partida o preço oferecido pelo Abbott para a unidade do medicamento: U$ 0,63, quase metade do US$ 1,17 pago atualmente. O comunicado sobre o acordo era esperado para ser feito ontem mesmo, durante a entrega do 1º Prêmio Nacional CEN aids no Mundo do Trabalho, em São Paulo. Mas Saraiva Felipe informou ser necessário ainda discutir alguns pontos importantes, que, segundo ele, envolvem a 'própria soberania nacional'. Entre elas, a imposição de que o governo não possa questionar o laboratório em nada, em qualquer momento. Apesar de o impasse envolver uma questão tão importante, o ministro dá como certo o contrato. Saraiva Felipe estima que o acordo seja assinado amanhã. Ele passaria a vigorar a partir de março. O contrato em vigor tem validade até fevereiro. Para especialistas, o desfecho rápido já era esperado, por causa do estoque. Pelos cálculos feitos pelo governo, a redução do preço do Kaletra pode trazer uma economia para o Programa Nacional de DST-aids de US$ 339,5 milhões, até 2011, data prevista para o fim do contrato. Neste ano, estima-se que 23.400 pessoas façam uso do Kaletra, um número 246% superior ao registrado em 2002, quando o medicamento entrou no País. Neste período, os custos com a compra do medicamento subiram de US$ 35,2 milhões para US$ 91,6 milhões. GARANTIAS Além da redução de preço, a proposta do Abbott prevê a continuidade do programa de doação do Kaletra infantil e a garantia de que a nova formulação do Kaletra - o Meltrex - seja vendida com acréscimo de 10% sobre os US$ 0,63. O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério, Jarbas Barbosa, afirmou que o acordo não faz referências sobre transferência de tecnologia. Ele disse, ainda, que não há imposições do laboratório sobre o consumo de medicamentos no País. 'Nossa previsão é de que haja um aumento de 6 mil pacientes por ano. Mas, se por algum motivo, quisermos reduzir drasticamente o consumo, o preço será mantido.' Em contrapartida, não haverá desconto no caso de o remédio ter um crescimento acima do planejado. O valor de US$ 0,63 ofertado pelo laboratório Abbott é menor do que o exigido em junho pelo então ministro da Saúde, Humberto Costa: US$ 0,69. Na época, Costa havia afirmado que, caso o preço não fosse atendido, o governo recorreria à licença compulsória. Uma negociação foi iniciada e, no dia em que deixou o cargo, um acordo foi anunciado. Na época, não foi informado qual o valor unitário do medicamento. O ministério dizia apenas que haveria uma redução paulatina do preço, acompanhada de um aumento de remédios vendidos e uma transferência de tecnologia, mas que seria realizada às vésperas do fim da patente do Kaletra. O Abbott encarregou-se de desmentir as condições do acordo. Especialistas e ONGs não pouparam críticas ao resultado final. Logo ao assumir, o ministro Saraiva Felipe desmentiu o trato. Disse que não havia nada formalizado e novas discussões foram abertas. Neste meio tempo, laboratórios oficiais, que ficariam encarregados de produzir o medicamento, garantiram que poderiam reduzir ainda mais o preço: de US$ 0,69 para US$ 0,41. 'Mas até hoje, eles nunca comprovaram como chegariam a tal valor', disse Barbosa. Consultor-sênior do Programa Estadual de DST-aids, e um dos responsáveis pela aceitação do conceito de que medicamento não é mercadoria, Paulo Teixeira não quis comentar o eventual acordo. 'É preciso ver os detalhes antes.' Como exemplo, ele cita o acordo feito por Costa, 'anunciado como grande avanço, mas que, na verdade, seria péssimo para o País'. E faz um apelo ao Ministério da Saúde: tornar pública a proposta antes de o acordo ser formalizado. 'O preço, por si só, pode ser bom. Mas pode haver exigências descabidas.' Fonte: http://www.agenciaaids.com.br/noticias-resultado.asp?Codigo=3730 Acessado em 01/12/2006

Comentários desativados em Governo e Abbott se preparam para fechar acordo sobre Kaletra

Acordo reduz em 46% preço de remédio para aids

2017-01-10T17:18:27-03:00outubro 3, 2005|Categories: Acervo|

Brasil chegou a um acordo com a empresa farmacêutica Abbott Laboratories, dos EUA, para diminuir em quase 46% o preço pago por um importante medicamento usado no tratamento da aids. "Chegamos a um acordo sobre o preço", afirmou nesta segunda-feira o ministro da Saúde, Saraiva Felipe, que assumiu o cargo em julho. As declarações foram feitas durante um seminário sobre a aids realizado em São Paulo. "Há apenas algumas diferenças no texto do acordo que ainda precisam ser trabalhadas", disse, acrescentando a assinatura do acordo deve ocorrer até a quarta-feira. O Brasil paga atualmente US$ 1,17 por pílula do Kaletra, o medicamento fabricado pela Abbott. Isso significa um gasto de cerca de US$ 107 milhões por ano, ou quase um terço do orçamento anual do país para os anti-retrovirais. Segundo Felipe, a Abbott concordou em baixar o preço cobrado para US$ 0,63 por pílula. O acordo, que entraria em vigor a partir de fevereiro, também inclui outros benefícios para o Brasil, e o preço real do remédio cairá para US$ 0,59 a pílula, acrescentou o ministro. Brian Kyhos, porta-voz da empresa norte-americana, não quis confirmar a redução no preço, afirmando que o acordo não tinha sido assinado ainda e, portanto, "não há nada sobre o que dar detalhes". O governo brasileiro ameaçou quebrar a patente da Abbott se a empresa não baixasse o preço, insistindo que o desconto era necessário a fim de garantir a sustentabilidade do programa anti-Aids no país, elogiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e visto como um modelo para outros países em desenvolvimento. O Brasil disse poder produzir uma versão genérica do Kaletra por apenas US$ 0,68 a pílula, economizando cerca de US$ 55 milhões por ano. A Abbott respondeu afirmando que o país já pagava o menor preço mundial pelo medicamento, se não forem considerados os programas humanitários implementados na África. O impasse parecia ter chegado perto do fim em julho, quando o então ministro Humberto Costa anunciou, em seu último dia no cargo, que havia chegado a um acordo com a Abbott. Mas logo depois de assumir, Saraiva Felipe disse que iria rever o acordo por considerar a oferta do laboratório inadequada. Essa não é a primeira vez que o país entra em choque com grandes empresas farmacêuticas. Já foram várias as vezes, nos últimos anos, em que os laboratórios viram-se obrigadas a baixar o preço de seus remédios de combate à aids devido à ameaça de quebra de patente e de produzir a droga localmente. O governo brasileiro também negocia com a Merck Sharp Dohmee e a Gilead Sciences com o objetivo de reduzir o preço dos outros dois medicamentos largamente usados no programa de combate à doença. Segundo o ministro, ainda está em negociação uma redução de gastos com os medicamentos efavirenz (Merck) e tenofovir (Gilead). Somente em 2005, o total gasto com anti-retrovirais atingirá 1 bilhão de reais, segundo o ministério, e juntas essas três drogas citadas consomem 80% do orçamento. Fonte: http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI693161-EI715,00.html Acessado em 01/12/2006

Comentários desativados em Acordo reduz em 46% preço de remédio para aids

setembro 2005

Aids, patentes e a chantagem da indústria

2017-01-10T17:18:27-03:00setembro 30, 2005|Categories: Acervo|

O empresário Ciro Mortella, no artigo ''Aids, coquetel e desigualdade social'', publicado na quarta-feira (28/09), tenta desqualificar aquela que é hoje a mobilização mais urgente da sociedade civil organizada que atua na área da saúde: a defesa do licenciamento compulsório dos medicamentos anti-retrovirais para tratamento da Aids. Porta-voz dos laboratórios farmacêuticos, sua famigerada opinião é também desrespeitosa, ao chamar de inconseqüente a abordagem promovida pelas entidades de luta contra a Aids que, recentemente, durante encontro nacional, ocuparam as ruas de Curitiba em ato que reuniu representantes de cerca de 400 ONGs. O fato é que nós, ativistas do movimento de Aids, não estamos sozinhos. Está conosco a Câmara dos Deputados, que aprovou em todas as comissões o Projeto de Lei 22/03, que deixa de reconhecer as patentes dos medicamentos de Aids. Também o Conselho Nacional de Saúde, maior fórum de controle social, do qual Ciro Mortella é membro, deliberou por imensa maioria pelo fim das negociações de preço entre o governo federal e os laboratórios, pelo licenciamento compulsório e pelo imediato início da fabricação nacional do medicamento lopinavir. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, que congrega 90 mil médicos, é outro exemplo de entidade que manifestou apoio formal à medida. Sem contar o Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde que têm defendido, com argumentos incontestáveis, a necessidade do licenciamento. Ou seja, cresce na sociedade a convicção de que não há outro caminho, a não ser a produção local de anti-retrovirais genéricos, para manter o acesso a 170 mil brasileiros em tratamento. Outros 600 mil cidadãos, portadores do HIV, mais cedo ou mais tarde também dependerão destes medicamentos para viver. E o Sistema Único de Saúde já não tem mais como pagar o preço imposto pelas multinacionais. Atualmente, os laboratórios públicos e privados do Brasil produzem apenas 7 dos 16 medicamentos do coquetel anti-Aids. Com isso , os gastos anuais do Ministério da Saúde com anti-retrovirais somarão R$ 950 milhões em 2005. Com o licenciamento compulsório das drogas hoje patenteadas, a drástica economia poderá ser aplicada em outras ações de combate à Aids ou de saúde pública. Não nos faltam argumentos. O que falta é coragem e decisão política do governo Lula de emitir as licenças compulsórias, absolutamente compatíveis com a legislação já existente no país, com o respaldo das flexibilidades previstas no acordo TRIPS da Organização Mundial de Comércio e na Declaração de Doha, conquistas que o Brasil protagonizou. O decreto compulsório, devido às suas implicações, depende da palavra final da Casa Civil e do próprio presidente da República, convencimento que só mesmo um ministro da Saúde forte será capaz de articular. Por enquanto, o ministro Saraiva Felipe nem sequer assinou a resolução do Conselho Nacional de Saúde, instância que preside. Fragilizado pela crise política, está aí uma boa oportunidade de o presidente Lula demonstrar que ainda guarda compromisso com os movimentos sociais que foram decisivos para conduzi-lo ao Palácio do Planalto. Ressalta-se que são alentadores os recentes informes divulgados por entidades da indústria nacional, que provaram possuir qualificação técnica, equipamentos e recursos humanos , não só para a produção de remédios bons e baratos, mas também de substâncias ativas dos anti-retrovirais. Não podemos admitir o argumento chantagista de que, sem patentes no Brasil, não haverá produção científica e novas descobertas, o que prejudicaria os próprios pacientes no futuro. As vendas nos países ricos, maior mercado consumidor de anti-retrovirais, certamente garantirão o investimento em pesquisa de novos fármacos. E, por aqui, seja dito: os laboratórios multinacionais já lucraram muito com a Aids. Além da nossa política de acesso universal, a mobilização dos usuários dos medicamentos, das pessoas vivendo com HIV/Aids e das ONGs, garantiram um mercado altamente rentável por muitos anos. Sem contar que muitas das pesquisas para novas drogas foram realizadas nas nossas universidades, nos nossos hospitais que tratam Aids e que ofereceram centenas de voluntários. Também é momento de explicitar que o monopólio das patentes dos medicamentos de Aids é reforçado no Brasil por meio de alianças estratégicas nem sempre éticas, que incluem a prática de alguns laboratórios de cooptar parlamentares e médicos, comprar ''porta-vozes'' e estabelecer parcerias aparentemente inofensivas com ONGs e jornalistas. Ninguém é ingênuo a ponto de esperar um ato de ''gratidão'' da indústria, de conceder licenças voluntárias, mesmo depois de tanto lucro auferido no Brasil. Por isso, conclamamos a sociedade a juntar-se a nós na exigência do licenciamento compulsório imediato dos medicamentos anti-retrovirais. Soberanos, devemos ter o direito de escolher o país em que queremos viver. *Mário Scheffer é comunicador social, membro do Grupo Pela Vidda/SP e do Conselho Nacional de Saúde.  Fonte: http://www.agenciaaids.com.br/noticias-resultado.asp?Codigo=3706 Consultado em 12/02/2007

Comentários desativados em Aids, patentes e a chantagem da indústria

Aids, Coquetel e Desigualdade Social

2016-02-02T20:46:03-03:00setembro 28, 2005|Categories: Acervo|

Em recente encontro realizado em Curitiba, organizações não-governamentais voltaram a exigir o licenciamento compulsório das patentes dos medicamentos do coquetel antiaids. Infelizmente, a questão extrapolou os limites financeiros que lhe dão fundamento, a saber, a tentativa de reduzir os preços dos medicamentos, tendo em vista que as verbas públicas não seriam suficientes para a atender o número crescente de pacientes, para se transformar numa campanha de desinformação, com o objetivo de desacreditar a indústria farmacêutica. É uma pena que um tema de tamanha gravidade seja abordado de forma inconseqüente. Os partidários do desrespeito à propriedade intelectual argumentam que os medicamentos são muito caros e países como o Brasil não têm condições financeiras de pagar seu preço. De fato, produtos cuja pesquisa e desenvolvimento (P&D) custa em média US$ 900 milhões são caros. E os altos investimentos feitos para criá-los precisam ser cobertos, como impõe a lógica econômica. E o são. Pelos mercados dos países ricos. O consumidor e o governo brasileiros já pagam pelos medicamentos que adquirem um preço subsidiado pelos consumidores norte-americanos, europeus e japoneses. Por conveniência, os partidários da quebra de patentes costumam incluir o Brasil no rol dos países pobres. O Brasil é, na verdade, a 12ª economia mundial. Mas não paga pelas drogas do coquetel antiaids um preço equivalente a essa posição. Paga, proporcionalmente, muito menos. Já países reconhecidamente pobres, como a maioria dos países africanos, não pagam nada ou muito pouco pelos medicamentos contra a aids, por exemplo. O que acontece é que a ajuda humanitária para a África, que inclui a doação de medicamentos em grandes quantidades, é desviada pelos burocratas e pelas redes de corrupção, segundo a análise do insuspeito economista africano James Shikwati, do Quênia, em entrevista à revista alemã Der Spiegel. O problema do acesso aos medicamentos no Brasil não está centrado no preço, mas na renda. E não há nenhuma novidade nisso. Um relatório da ONU que acaba de ser divulgado mostra que o Brasil ocupa a 8ª posição no ranking da desigualdade social. A má distribuição de renda e políticas públicas precárias restringem o acesso da população a bens essenciais, como os medicamentos. As drogas contra a aids desenvolvidas pela indústria farmacêutica ao longo de duas décadas deram novo alento aos portadores da doença. As substâncias descobertas transformaram a enfermidade, inicialmente fulminante e devastadora, num mal que pode ser controlado, embora ainda incurável, aumentado a qualidade e a expectativa de vida de seus portadores. E há quem diga que o sucesso do programa brasileiro de distribuição universal de medicamentos para combater a aids se deve exclusivamente à iniciativa do governo e não à indústria farmacêutica. Ora, de nada valeria a estratégia de negociar com os laboratórios a redução de preços das drogas do coquetel antiaids ou fabricar localmente os produtos com patente expirada sem a disposição e a ousadia dos laboratórios de mobilizar bilhões de dólares na descoberta de substâncias capazes de reduzir a mortalidade provocada pela doença. Sem a pesquisa e o desenvolvimento de medicamentos inovadores contra a aids o programa público de tratamento dos portadores da aids simplesmente não existiria. Por mais absurdo que possa parecer, defensores da quebra de patentes chegam a afirmar sandices do tipo: ''A simples existência de medicamentos antiaids não garante a vida''. Os medicamentos garantem, sim, a vida de um contingente cada vez maior de brasileiros. O sucesso do programa brasileiro de acesso universal ao coquetel antiaids é o sucesso da indústria farmacêutica, tanto no plano científico como comercial. Os dados do próprio governo ilustram esta afirmativa. Em 1997, 35,9 mil portadores da doença foram atendidos, com o dispêndio per capita de US$ 6.240. No ano passado, o grupo beneficiado chegou a 154 mil pessoas, com gastos por paciente de US$ 2.500. Em 2003, o custo médio por pessoa foi ainda menor: US$ 1.359. Que os responsáveis pelo programa brasileiro de combate à aids queiram otimizar os recursos disponíveis é compreensível e até legítimo. Os laboratórios têm jogado este jogo, negociando condições mais favoráveis, como demonstram os números acima citados. O que não se pode aceitar é que em nome desse objetivo os laboratórios sejam tratados como vilões de um programa que é aplaudido em todo o mundo graças, fundamentalmente, ao conhecimento e aos vultosos investimentos da indústria farmacêutica. O setor reafirma seu compromisso de contribuir para a ampliação do acesso aos medicamentos para os medicamentos em geral e não apenas do coquetel antiaids. Só apresenta uma condição. Que tudo seja feito dentro da lei, respeitados os acordos internacionais firmados pelo Brasil. *Ciro Mortella é presidente executivo da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma)  Fonte: http://www.agenciaaids.com.br/noticias-resultado.asp?Codigo=3690 Consultado em 13/02/2007

Comentários desativados em Aids, Coquetel e Desigualdade Social

Profissionais da área de saúde contestam o artigo do presidente da Febrafarma para o Jornal do Brasil e dizem que os lucros excessivos da indústria farmacêutica são o principal obstáculo para o acesso universal aos medicamentos

2016-02-02T20:46:03-03:00setembro 28, 2005|Categories: Acervo|

Em artigo publicado na edição desta quarta-feira, 28, o presidente executivo da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma) criticou a defesa do licenciamento compulsório dos anti-retrovirais promovido pelos ativistas da Aids (leia o artigo aqui). Mortella diz que o consumidor e o governo brasileiros já pagam pelos medicamentos que adquirem um preço subsidiado pelos consumidores norte-americanos, europeus e japoneses. O executivo argumenta também que, por conveniência, os partidários da quebra de patentes costumam incluir o Brasil no rol dos países pobres e que, na verdade, o Brasil é, a 12ª economia mundial, porém não paga pelas drogas do coquetel anti-Aids um preço equivalente a essa posição. Paga, proporcionalmente, muito menos. Para ele, o problema do acesso aos medicamentos no Brasil não está centrado no preço, mas na renda. O presidente da Febrafarma segue protestando que “há quem diga que o sucesso do programa brasileiro de distribuição universal de medicamentos para combater a Aids se deve exclusivamente à iniciativa do governo e não à indústria farmacêutica. Sem a pesquisa e o desenvolvimento de medicamentos inovadores contra a Aids o programa público de tratamento dos portadores da Aids simplesmente não existiria. O sucesso do programa brasileiro de acesso universal ao coquetel anti-Aids é o sucesso da indústria farmacêutica, tanto no plano científico como comercial.” A Agência de Notícias da Aids procurou o consultor sênior do Programa Estadual de DST/Aids e ex-Diretor do Programa Nacional de DST/Aids, Paulo Roberto Teixeira, Alexandre Granjeiro, diretor de Instituto de Saúde de São Paulo e ex-Diretor do Programa Nacional de DST/Aids e a coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids, Maria Cristina Abbate para comentar o artigo. Paulo destaca “que o mais importante, que o artigo exclui, é a constatação de que a indústria farmacêutica está tendo lucros excessivos à custa de vidas humanas. É esse o paradigma que tem que ser modificado, basta ver os balanços anuais das grandes companhias.” Ele também ressaltou que não se trata somente de quebrar patentes, mas de lutar contra o lucro exacerbado das indústrias farmacêuticas. “Essa declaração confirma a postura inflexível que tem sido adotada pelas companhias farmacêuticas,” concluiu. Alexandre Granjeiro também concorda com a opinião de Teixeira e destaca que esse modelo de patente (20 anos de uso exclusivo) não deve exisitir e que permite que os laboratórios exerçam o preço da forma como querem. "Os laboratórios deveriam ter responsabilidade social e tomar uma outra postura que colaborasse com o país". Maria Cristina Abbate ressalta que, em primeiro lugar, é preciso lembrar que o Dr. Mortella fala dentro da lógica das indústrias farmacêuticas e que é importante recuperar a história, pois a resposta que foi rápida, do ponto de vista do governo em relação a Aids, deve-se inegavelmente ao movimento social, à sociedade civil e aos portadores. Como Abbate, Granjeiro também atribui o sucesso do programa de Aids ao movimento social. Para ela, dentro do princípio do SUS, deve ser respeitada a universalidade do acesso aos medicamentos. “Evidentemente a indústria visa e vive dos lucros, mas quando uma empresa, que trabalha com um bem inquestionável como a saúde, o lucro tem que ter uma outra definição”. Abbate concorda que há uma má distribuição de renda e que isso dificulta o acesso aos medicamentos, mas apesar de ser a décima segunda potência econômica mundial, não significa que o Brasil está no mesmo patamar dos países desenvolvidos. “Não há recursos para a população gastar com medicamentos. E é verdade que há crescimento da economia, mas não tem como comparar,” acrescentou. Questinado sobre os termos utilizados por Mortella para referir-se aos ativistas do movimento de luta contra a Aids, Granjeiro disse que o presidente executivo da Febrafarma está correto em chamá-los de "partidários do desrespeito à propriedade intelectual", pois "é isso que eles são", ironizou. E questionou: se eles (ativistas) não respeitam a propriedade intelectual é porque talvez não seja uma propriedade legítima e da forma que foi constituída. Se não for legítima não deve ser desrespeitada", disse ele que não considera a patente essencial para o desenvolvimento de novos remédios. Como alternativa, Granjeiro sugeriu outras formas "mais saudáveis" de garantir o desenvolvimento científico dos anti-retrovirais "sem que haja uma privatização do conhecimento" como, por exemplo, a patente de direito que funciona com o registro da inovação, porém quem quiser produzir o medicamento pagará uma remuneração pelo uso ao detentor da patente. Outra alternativa sugerida por ele é de que haja a criação de fundos públicos para remunerar os investidores. "Esses dois sistemas são mais lógicos", afirmou. Abbate acredita que é necessária uma ação mais imperativa: quebrar patentes.“Pedro Chequer vem dizendo que o Brasil tem capacidade de produzir os próprios medicamentos, se investir o dinheiro economizado com a quebra das patentes, na indústria nacional. O governo precisa ter uma decisão mais incisiva. A quebra de abastecimento do começo do ano tem mostrado que é preciso incentivar a indústria nacional para desenvolvimentos dos medicamentos,” concluiu. Caso o licenciamento compulsório dos medicamentos anti-retrovirais, em especial o Kaletra, não seja anunciado, Granjeiro orientou que "o movimento social deve entrar com uma ação civil contra o governo para garantir maior racionalidade com os gastos públicos e obrigando o licenciamento". Fonte: http://www.agenciaaids.com.br/noticias-resultado.asp?Codigo=3695 Consultado em 13/02/2007

Comentários desativados em Profissionais da área de saúde contestam o artigo do presidente da Febrafarma para o Jornal do Brasil e dizem que os lucros excessivos da indústria farmacêutica são o principal obstáculo para o acesso universal aos medicamentos

agosto 2005

Ministro descarta falta de anti-retrovirais

2016-02-02T20:46:03-03:00agosto 29, 2005|Categories: Acervo|

O ministro da Saúde, Saraiva Felipe, descartou ontem que portadores do vírus HIV corram o risco de ficar sem o coquetel de medicamentos fornecidos pelo governo federal. ”Cumprimos a lei, mas o custo está ficando proibitivo. Com 166 mil pacientes deste tipo específico de medicamento gastamos 25% de tudo que é gasto com a distribuição de medicamentos para 180 milhões de brasileiros”, exemplificou. Saraiva Felipe adiantou que pretende “brigar” com os laboratórios para diminuir os preços. O ministro justificou-se que está há 45 dias no cargo e trabalha com um orçamento em execução. “Para o ano que vem devemos disponibilizar mais de R$ 1 bilhão somente para a Aids”, disse. O ministro afirmou também que já está em entendimentos com a prefeitura e o governo do Estado para conseguir recursos para a conclusão do Pronto Socorro de Venda Nova e o Cardiominas. ”Os valores ainda estão sendo calculados”, declarou. Saraiva recebeu ontem, em BH, a Medalha Rubens Resende Neves - Amigos do Hospital Felício Rocho.  Fonte: http://www.aids.gov.br/data/Pages/LUMISDA56F374ITEMID4C07A12DC444472F83F84CD011729154PTBRIE.htm Consultado em 13/02/2007

Comentários desativados em Ministro descarta falta de anti-retrovirais

julho 2005

Doente sem direito a sobrevida

2016-02-02T20:46:03-03:00julho 29, 2005|Categories: Acervo|

Sem remédio, vítima de Aids morre seis meses depois de a Justiça ordenar à prefeitura que fornecesse o medicamento. Seis meses depois de conseguir uma liminar determinando que a Secretaria Municipal de Saúde lhe fornecesse um medicamento, o auxiliar de enfermagem Miguel ângelo Pereira, 31 anos, morreu na madrugada de quarta-feira sem ter recebido uma dose do remédio. Miguel, que era portador de HIV havia oito anos, foi enterrado ontem no cemitério Jardim da Saudade, em Paciência. “O que aconteceu foi um crime. Para o governo, foi uma economia e, para a família, uma perda enorme. é muito triste saber que meu filho poderia estar vivo e lutando contra a doença se tivesse conseguido esse remédio”, disse Neide Matos Vasconcellos, 61 anos, mãe de Miguel. Na receita médica anexada ao processo consta que o remédio Cidofovir “é indispensável ao paciente”, que vinha sofrendo com infecções oportunistas - doenças que se aproveitam da baixa imunidade da pessoa com HIV para se instalar. Em 17 de janeiro, o juiz Renato Rocha Braga, da Fazenda Pública, determinou que a medicação fosse entregue a Miguel em 48 horas. “O perigo da demora, na hipótese, é nada menos do que a probabilidade de graves danos à saúde”, diz a decisão. Segundo o Tribunal de Justiça, em 8 de março foi expedido um mandado de busca e apreensão dos medicamentos, mas o produto não foi encontrado no órgão. A Secretaria Municipal de Saúde afirmou que recorreu aos fornecedores autorizados, mas nenhum vendia o remédio. Disse que, ao ser informada de que o medicamento era importado, começou a providenciar a compra, mas alegou que a família não procurou o órgão para apresentar Fonte: http://www.aids.gov.br/main.asp?ViewID=%7BDA56F374%2D128A%2D40FB%2DB16F%2DD08A1F5DD07B%7D&params=itemID=%7B1B5122CD%2DC229%2D4984%2D98D7%2D8094215AF8FD%7D;&UIPartUID=%7BD90F22DB%2D05D4%2D4644%2DA8F2%2DFAD4803C8898%7D Consultado em 15/02/2007

Comentários desativados em Doente sem direito a sobrevida

Custo com remédios anti-Aids chega a R$ 1 bi

2017-01-10T17:18:27-03:00julho 28, 2005|Categories: Acervo|

O ministro da Saúde, Saraiva Felipe, declarou ontem que o alto preço dos anti-retrovirais importados pelo País pode pôr em risco a distribuição de outros medicamentos pelo governo federal, destinados a doenças como esclerose múltipla, hipertensão e hepatite. Segundo ele, os gastos com a aquisição das 17 drogas do coquetel antiaids duplicaram do ano passado para cá, subindo de R$ 600 milhões para R$ 1,07 bilhão, sendo que 80% deste total é direcionado para a compra dos nove remédios patenteados. "O orçamento total de medicamentos é da ordem de R$ 3 bilhões. Já estamos comprometendo mais de R$ 1 bilhão com a importação. é algo muito significativo. Nós podemos chegar num momento em que todos os recursos estarão comprometidos com o tratamento da Aids e vai faltar medicamento para hipertensão, diabetes... Temos que pesar isso aí", disse ele, durante a 3ª Conferência sobre Patogênese e Tratamento de HIV/Aids, realizado no Rio. Saraiva atribuiu o aumento da necessidade de recursos a fatores como a melhoria da capacidade de diagnóstico da doença, que, por sua vez, resultou em um maior número de pacientes soropositivos cadastrados no programa de distribuição gratuita do coquetel. Além disso, destacou o surgimento de novas drogas, necessárias para combater a resistência já detectada com remédios mais antigos. "Esse é um mercado em que os medicamentos mudam com frequência. Os preços crescem muito", observou o ministro. Ele não deu detalhes sobre a negociação com o laboratório Abbott, fabricante do anti-retroviral Kaletra, mas foi taxativo ao falar sobre a possibilidade de quebra de patente do medicamento. "Se o programa de assistência nesse País for ameaçado por insuficiência de recurso, nós não hesitaremos em fazer o licenciamento compulsório", afirmou. Mais tarde, na cerimônia de encerramento do evento, ressaltou que o Brasil compromete hoje 63% do orçamento com três anti-retrovirais, o Kaletra, o Efavirenz e Tenofovir, os dois últimos produzidos, respectivamente, pela Efavirenz e Gilead. "é uma situação insuportável para um país", destacou. O ministério já ameaçou quebrar a patente dos três. Perguntado se o Brasil não fica desacreditado por, sistematicamente, ameaçar, mas não decretar o licenciamento compulsório de anti-retrovirais, Saraiva explicou: "Temos um contrato com a Abbott que vai até maio do ano que vem. Estamos tentando fechar agora um acordo de tal forma que o preço do medicamento chegue a um valor que é próximo daquele que nós poderíamos produzir no Brasil no caso do licenciamento compulsório (US$ 0,49) ou comprá-lo através de outros países que estão colocando no mercado os produtos que compõem o Kaletra, que é o caso da índia. Estou há dez dias no ministério e estou tentando agilizar para que isso não vire mais uma novela". Ao encerrar a conferência, que reuniu 4.980 delegados de 128 países no Riocentro, o diretor-executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, Peter Piot, alertou para a necessidade de os países iniciarem, imediamente, um planejamento para lidar com a Aids a longo prazo. Diante da meta de universalizar o acesso ao tratamento anti-retroviral, o mundo, disse ele, precisar ter uma infra-estrutura para lidar com os pacientes, que irão viver por 20, 30, 40 anos. "Não há precedentes na história em relação ao que vemos hoje com a Aids. Precisamos ter um plano para lidar com isso, pois o mundo não vai mais voltar a ser como era antes da Aids", disse. Fonte: http://www.aids.gov.br/data/Pages/LUMISDA56F374ITEMID8E7045B99C3C4857A96E883B9742C7D9PTBRIE.htm Consultado em 13/02/2007

Comentários desativados em Custo com remédios anti-Aids chega a R$ 1 bi