julho 2005

Gasto maior pode forçar quebra de patente anti-Aids

2016-02-02T20:46:03-03:00julho 28, 2005|Categories: Acervo|

O ministro da Saúde, Saraiva Felipe, ameaçou ontem quebrar patentes de medicamentos contra a Aids caso o gasto do governo com a compra desses produtos continue aumentando. Ao participar do último dia da 3ª Conferência da Sociedade Internacional de Aids sobre Patogênese e Tratamento de HIV/Aids, que aconteceu no Rio de Janeiro, ele afirmou que esse gasto aumentou de R$ 600 milhões para R$ 1,050 bilhão somente no último ano. "Se o programa de assistência universal for ameaçado por insuficiência de recursos, não hesitaremos em fazer o licenciamento compulsório. É óbvio que há um espaço para negociação, mas teremos que chegar a um acordo com os laboratórios para pagar o que consideramos justo", disse Felipe. Segundo o ministro, o aumento desses custos pode acabar também comprometendo a distribuição de outros medicamentos. "De um orçamento total para medicamentos da ordem de R$ 3,4 bilhões, já estamos comprometendo mais de R$ 1,050 bilhão. Poderemos chegar a um momento em que todos os recursos estarão comprometidos com o tratamento da Aids e faltará remédio para hipertensão, diabetes, por exemplo". O licenciamento compulsório é uma maneira de reduzir os custos com importação por permitir, sem necessidade de acordo com o laboratório privado, que o governo possa produzir um remédio até então exclusivo de um único laboratório. Uma das empresas que correm o risco de ter a patente de um produto seu quebrada no Brasil é a Abbott, que produz o Kaletra. O governo ainda negocia reduzir o preço da droga. Na gestão do ex-ministro Humberto Costa, chegou a ser anunciado que o acordo fora fechado. O ministro afirma que espera que o laboratório ofereça um preço próximo do custo unitário estimado, que é de US$ 0,49. Atualmente, o custo é de US$ 1,17. A Folha tentou ouvir a associação dos fabricantes, mas não conseguiu encontrar nenhum representante. Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u111441.shtml Consultado em 16/02/2007

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Governo desiste de quebrar patente

2017-01-10T17:18:27-03:00julho 9, 2005|Categories: Acervo|

Ministério da Saúde diz que, com negociação, laboratório baixou preço do anti-retroviral Kaletra. Mas o Abbott nega O governo brasileiro voltou atrás e não vai mais quebrar a patente do medicamento antiretroviral Kaletra, produzido pelo Abbott. Em nota divulgada ontem às 19h50, o Ministério da Saúde afirmou que o resultado da negociação com a multinacional foi satisfatório, garantiu a redução significativa dos preços e a sustentabilidade do programa de Aids brasileiro. O acordo, concluído ontem, prevê a inclusão no programa de uma nova formulação do anti-retroviral, que deverá entrar no mercado dentro de dois anos, e a transferência de tecnologia para a produção do Kaletra no País. Apesar de toda a discussão, governo e Abbott ainda não se entenderam. Na nota, o ministério descreve uma série de conquistas na negociação questionadas pelo próprio laboratório. Diante das divergências, o governo sustentou a veracidade do que consta na nota. A confusão aumentou ainda mais por causa do momento da decisão. Ela foi tomada nas últimas horas do mandato de Humberto Costa como ministro da Saúde. Agora, as divergências terão de ser esclarecidas e sanadas pelo seu sucessor, Saraiva Filipe. À noite, quem dava esclarecimentos sobre o tema era a assessoria do antigo ministro. Que dizia que a nota era fiel à proposta de negociação feita pelo próprio Abbott. A expectativa diante do acordo chegou ao limite máximo à tarde, quando já havia acabado o prazo de dez dias dado por Costa para que o laboratório reduzisse o preço da unidade do medicamento para US$ 0,68. Esse ultimato tinha sido feito no dia 24, quando o governo declarou o Kaletra, usado por 23.400 pessoas no País e um dos mais caros do programa de Aids, como de utilidade pública. Na ocasião, Costa assegurou que nenhuma alternativa de acordo seria admitida caso o laboratório não chegasse ao preço estipulado pelo governo. Na nota divulgada ontem, o ministério não faz menção sobre o valor que será pago pelo Kaletra já no próximo ano. Informa, apenas, que as negociações vão garantir uma redução de US$ 18 milhões em 2006. Num período de seis anos, a economia seria de US$ 256 milhões. Atualmente, o governo gasta US$ 91,6 milhões com a compra do Kaletra. A redução de custos no período de um ano calculada pelo ministério é menor do que havia sido prevista caso a patente do Kaletra fosse quebrada e a produção nacional, iniciada. Há duas semanas, quando afirmou que a patente do medicamento seria quebrada, Costa sustentava que a produção nacional reduziria o custo da compra a praticamente a metade. Por outro lado, o ministério informa que não haverá aumento de custos, mesmo com a incorporação de novos pacientes no programa. 'Hoje, 23.400 pacientes do programa recebem Kaletra e estima-se que em seis anos esse número chegue a 60 mil', informa a nota. O comunicado cita ainda o fornecimento do Kaletra de uso pediátrico como parte do acordo. Nos próximos seis anos, os custos também estarão congelados, mesmo com o aumento do número de pacientes. A nota informa que brasileiros vão receber o Kaletra de nova geração, batizado de Meltrex, atualmente em processo de registro nos Estados Unidos. A nova droga facilita a forma de tratamento e reduz efeitos colaterais, como diarréia. Além disso, não precisa ser guardado em locais refrigerados, o que facilita tanto o uso por pacientes como a logística de distribuição por parte do ministério. O País nunca quebrou a patente de nenhum medicamento. No entanto, as ameaças já foram várias. A primeira vez foi em 2001, quando o então ministro José Serra anunciou que adotaria a medida para o nelfinavir. Como desta vez, um acordo foi realizado e a patente, preservada. ABBOTT CONTESTA PONTOS DA NOTA DO GOVERNO DIVERGÊNCIAS: Mesmo após o acordo, as divergências entre governo e Abbott persistiram. Menos de uma hora depois da divulgação da nota, o laboratório questionou algumas informações passadas pelo Ministério da Saúde. Fez questão de dizer, por exemplo, que o preço da unidade do Kaletra não baixou. O que o acordo prevê é o congelamento da despesa. Isso significa que a economia só se dará se houver aumento de pacientes no programa. O laboratório também não confirma os cálculos de economia na compra feitos pelo governo. A nota do ministério dá a entender ainda que o governo sai ganhando com a distribuição do Kaletra infantil. Mas o Abbott informa que o anti-retroviral já é doado para crianças. Por fim, questiona o dado sobre transferência de tecnologia para Farmanguinhos, que produzirá o Kaletra. O processo começa só em 2012, três anos antes do fim do prazo de patente. Na nota, o governo diz que seria em 2009. (Lígia Formenti)  Fonte: http://www.agenciaaids.com.br/noticias-resultado.asp?Codigo=3131 Acessado em 01/12/2006

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Provável contra-proposta do Abbott resolve apenas parte do problema brasileiro, dizem ativistas

2016-02-02T20:46:03-03:00julho 5, 2005|Categories: Acervo|

O fabricante do anti-retroviral Kaletra,laboratório Abott encaminhou ao governo um acordo, propondo a redução do preço do Kaletra de US$ 1,17 para US$ 0,70. O valor é próximo ao defendido pelo Ministério da Saúde: US$ 0,68 Com a iminência de o ministro Humberto Costa deixar a pasta da Saúde, o acordo com o laboratório norte-americano Abbott para reduzir o preço do medicamento anti-retroviral Kaletra poderá ser fechado ainda hoje. Ontem, no final da tarde, o fabricante enviou uma proposta formal ao governo brasileiro para vender cada unidade do remédio por cerca de US$ 0,70. A tendência é que o governo aceite essa oferta. Com isso, a patente do medicamento seria preservada e Costa ainda “colheria os louros” da negociação. O governo queria que o preço de cada unidade do Kaletra ficasse em US$ 0,68. Mas, a partir da contra proposta da Abott, os técnicos do governo refizeram cálculos e descobriram que é mais vantajoso comprar o medicamento do laboratório norte-americano a US$ 0,70, do que obter a licença compulsória e fabricá-lo no Farmanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Há outro fator que fará com que o governo aceite a proposta do laboratório. Se quebrar a patente, o governo levará dois anos entre o início de fabricação do Kaletra brasileira e a distribuição do medicamento entre os pacientes, devido à obrigatoriedade de testes de qualidade e bioequivalência. Até lá, a saída mais econômica seria o governo comprar a versão genérica do Kaletra no mercado internacional, que é vendido, no menor preço, a US$ 0,72 por laboratórios chineses. Humberto Costa reafirmou ontem que o Brasil está disposto a quebrar a patente do medicamento Kaletra, caso não seja fechado um acordo com fabricante, nos próximos dias. “Se não houver a garantia de transferência de tecnologia, pelo licenciamento voluntário, e a oferta de preços compatíveis com aquilo que o próprio Ministério da Saúde pode produzir, por intermédio de Farmanguinhos, nós certamente levaremos este processo até à última conseqüência, que é a quebra de patente”, afirmou o ministro. No final de semana, os executivos da Abbott descobriram que o prazo dado pelo governo brasileiro para o laboratório se manifestar sobre a licença compulsória do Kaletra encerra-se na quinta-feira, e não hoje, como o próprio Ministério da Saúde havia divulgado. O prazo foi estendido porque, pelas regras da portaria assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os dez dias são úteis, e não corridos. A proposta de US$ 0,70 foi feita pelo Abbott na sexta-feira da semana passada, por telefone. Logo em seguida, a assessoria do laboratório divulgou nota informando que aos valores apresentados satisfaziam os interesses do governo brasileiro. Ontem, por causa dos rumores de que Humberto Costa pode deixar a pasta hoje, o Ministério da Saúde resolveu acenar positivamente ao laboratório. Oficialmente, no entanto, a ordem é não falar sobre a negociação com o fabricante. Acordo Para o advogado Denis Barbosa, especialista em propriedade intelectual e ex-procurador-geral do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), é possível que o acordo entre a Abbott e o Ministério da Saúde saia hoje. Mas ele ressalta que o governo brasileiro poderá levar o processo de licença compulsória adiante, mesmo que o laboratório recue no preço. Barbosa ajudou a redigir o texto da Organização Mundial do Comércio (OMC) que trata da quebra de patente e licença compulsória. O Kaletra é o mais importante medicamento que compõe o coquetel anti-Aids distribuído gratuitamente pelo governo federal. Dos 170 mil brasileiros atendidos pela distribuição de medicamentos do programa DST/Aids, 23,4 mil tomam o Kaletra. O anti-retroviral representa 30% do orçamento de compra de medicamentos para tratamento da doença. Os gastos com a compra do Kaletra, neste ano, serão de R$ 257 milhões. O remédio apresenta eficácia em pacientes que não respondem bem a outros anti-retrovirais, remédios do coquetel anti-Aids responsáveis por diminuir a reprodução do vírus HIV. As negociações para redução do preço do medicamento iniciaram em março.  Fonte: http://www.agenciaaids.com.br/noticias-resultado.asp?Codigo=3097 Acessado em 01/12/2006

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Mais perto da vitória

2017-01-10T17:18:27-03:00julho 3, 2005|Categories: Acervo|

(Correio Braziliense, 03.07.2005) Ameaça de quebra de patentes do anti-retroviral Kaletra, feita pelo governo, surte efeito. Fabricante do remédio faz contra-proposta para reduzir preço do medicamento

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junho 2005

Custo ameaça programa anti-Aids

2016-02-02T20:46:03-03:00junho 30, 2005|Categories: Acervo|

Combate ao vírus do HIV no Brasil, como em outros países, está sendo inviabilizado pelos preços dos medicamentos AGÊNCIAS ESTADO E FOLHAPRESS SÃO PAULO E BRASÍLIA – Os resultados obtidos até agora pelo programa “3 por 5” da Organização Mundial de Saúde indicam duas providências urgentes: o esforço para reduzir o preço dos medicamentos e o aumento da produção de anti-retrovirais, avalia o coordenador do Programa Nacional de DST-Aids, Pedro Chequer. “É preciso ampliar a oferta mundial de anti-retrovirais. Caso contrário, haverá escassez de medicamentos”, avisa. Chequer cita com exemplo a falta de medicamentos enfrentada pelo Brasil no início do ano. O coordenador admite que foram vários os problemas, mas a dificuldade em obter matéria-prima ajudou a retardar a normalização do atendimento. Por isso, defende, o Brasil tem de lutar pela autonomia da produção de medicamentos, da matéria-prima ao produto final. O coordenador teme que o aumento do consumo – esperado e revelado pela pesquisa da Unaids (Programa da ONU para a Aids) – possa trazer impactos negativos para o mercado. “Além da escassez, o aumento da demanda poderá fazer com que preços subam de forma incontrolada”, disse. “Para isso não ocorrer, é preciso que a ampliação do acesso seja acompanhada do aumento da produção”. No Brasil, a situação não é diferente. Ele afirma que o País há tempos desenha um plano para ganhar autonomia na produção de anti-retrovirais. “Temos orquestra. O que falta é um maestro com uma bela batuta”, afirmou, numa referência aos interesses e atribuições distintas em várias áreas do governo. “Para atingirmos esse objetivo, é preciso de atividades no Ministério da Ciência e Tecnologia, da Indústria e Comércio, da Saúde. Esperamos que agora, com a ministra Dilma Rousseff assumindo a Casa Civil, a orquestra toque de forma harmônica”.Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado ontem, aponta o Brasil como o segundo país com maior número de portadores de HIV entre os usuários de drogas na América Latina, além de ser uma das principais rotas do tráfico de cocaína. O estudo, que abrange o período 2003-2004, indica ainda que quase 50% daqueles que usam algum tipo de droga no Brasil estão infectados com o vírus HIV. Contágio – De acordo com a organização, o contágio entre usuários de drogas foi uma das principais razões da velocidade com que a Aids se disseminou durante a década de 80 no País. Entre esse grupo, duas capitais brasileiras se destacam: São Paulo (75% dos casos) e Rio de Janeiro (25% dos casos). A falta de cuidado dos usuários de drogas injetáveis é um fator preocupante na hora de controlar a disseminação do vírus HIV. No Brasil, estudo feito com esse grupo mostrou que apenas 12,5% usam camisinha durante o ato sexual – mas 77,7% deles tomam a iniciativa de lavar a seringa usada por outra pessoa antes de usá-la novamente. Os efeitos da despreocupação com o assunto atingem ainda mais as mulheres: 40% delas foram contaminadas com o vírus HIV por manter relações sexuais com parceiros usuários de drogas. De acordo com o estudo da ONU, usuários de heroína geralmente passam por longos períodos de abstinência sexual, o que não acontece com aqueles que consomem cocaína, usada em maior escala no Brasil. Fonte: http://www.sistemas.aids.gov.br/imprensa/Noticias.asp?NOTCod=65754 Consultado em 13/02/2007

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Decisão do Brasil tem apoio da OMS

2017-01-10T17:18:27-03:00junho 30, 2005|Categories: Acervo|

GENEBRA – A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a decisão do Brasil de quebrar a patente de um anti-retroviral, o Kaletra, explicita a necessidade de um acordo mundial entre empresas e governos para tratar do tema HIV e do acesso a remédios. Para a agência da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil não viola as regras internacionais, pois está em “seu direito” quebrar patentes. Na sexta-feira passada, o Ministério da Saúde anunciou que estava dando dez dias para o laboratório Abbott se manifestar sobre a redução do preço do medicamento de US$ 1,17 para US$ 0, 68 por unidade. Caso não aceite, a patente será quebrada e o produto será produzido pelo laboratório Farmanguinhos. As possibilidades de flexibilizar as regras de proteção de patentes existem e são resultado de um acordo segundo o qual lutar contra a Aids é mais importante do que respeitar patentes em algumas regiões do mundo. “Na OMS, apoiamos essas medidas”, afirmou Jim Kim, diretor do departamento de combate à Aids. “O Brasil estava tentando manter seu programa de combate à Aids. Os custos dos remédios são tão grandes que ficou claro que os objetivos de saúde pública poderiam ser ameaçados”, explicou Kim. Para o especialista, a medida tomada pelo Brasil mostra que a comunidade internacional precisa negociar um acordo sobre os remédios, a produção de novos produtos e o acesso à saúde para todos. “A situação ideal seria uma em que ninguém levasse companhias ou governos a tribunais. A nova geração de remédios para a Aids custa dez vezes mais do que os produtos que estão no mercado”, diz Kim. Ele afirma que nem os países doadores vão querer financiar a compra desses novos medicamentos para sua distribuição nos países pobres. SITUAÇÃO DOS PACIENTES COM AIDS NO MUNDO •  De acordo com o relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Unaids, 465 mil doentes precisam receber o coquetel contra a Aids nos países da América Latina e do Caribe. Em todo o mundo, a Aids mata mais de 8 mil pessoas por dia. • Atualmente, apenas 290 mil pessoas são tratadas (155 mil no Brasil), ou seja 62% das que precisariam de cuidados na região. • Quatorze países de recursos escassos ou medianos conseguiram tratar com o coquetel pelo menos a metade dos doentes de HIV/Aids que precisam do medicamento. São eles: Brasil, Argentina, Barbados, Chile, Costa Rica, Cuba, El Salvador, México, Panamá, Uruguai, Venezuela, Botsuana, Polônia e Tailândia. • Cerca de um milhão de doentes dos países pobres ou em desenvolvimento têm acesso ao coquetel, “um resultado inferior à meta de 1,6 milhão prevista para junho de 2005”, reconheceram a ONU e a Unaids. • O milhão de doentes no mundo tratados com coquetel representam apenas 15% das 6,5 milhões de pessoas, inclusive crianças, que correm o risco de morrer se não receberem cuidados rapidamente. • Dois terços dos 39,4 milhões de pessoas contaminadas com o vírus da Aids (soropositivos ou doentes) vivem na África subsaariana, onde a doença causou 2,3 milhões de mortos em 2004, segundo a Unaids. Na África subsaariana, apenas meio milhão de pessoas têm acesso ao coquetel, segundo o relatório. • Cerca de 660 mil crianças, das quais 370 mil na África subsaariana, precisam atualmente do coquetel, do contrário, a metade das soropositivas “morrerrá antes de dois anos”, segundo o relatório. • Para financiar coquetéis, cuidados médicos e prevenção em países com recursos escassos e medianos seriam necessários US$ 45 bilhões, ou seja, pelo menos US$ 18 bilhões a mais que os fundos atualmente anunciados para 2005-2007. • Entre os 18 países dos quais o G8 anulou a dívida multilateral, no início de junho, dez (Honduras, Nicarágua, Burkina Faso, Etiópia, Gana, Guiana, Moçambique, Ruanda, Uganda e Zâmbia) fazem parte dos 49 países que são o objetivo da iniciativa “coquetel para três milhões de pessoas até 2005”, compromisso assumido há dois anos. Fonte: Organização Mundial de Saúde (OMS) e Programa das Nações Unidas para a Aids (Unaids) Fonte da notícia: http://www.sistemas.aids.gov.br/imprensa/Noticias.asp?NOTCod=65754 Consultado em 13/02/2007

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Preços de medicamentos para aids nos países em desenvolvimento ainda preocupam

2017-01-10T17:18:27-03:00junho 30, 2005|Categories: Acervo|

Guia de preços publicado por MSF revela que os preços de medicamentos de segunda escolha e de formulações pediátricas são até 12 vezes maiores do que os de antiretrovirais de primeira escolha. E cita como exemplo o gasto do Brasil com medicamentos novos. Uma nova edição de um guia de preços publicado hoje por Médicos Sem Fronteiras(1) revela que, enquanto a produção de genéricos reduziu os preços dos antiretrovirais de primeira escolha de 10 mil dólares, em 2000, para apenas 150 dólares por paciente/ano em 2005, os preços de antiretrovirais mais recentes (de segunda escolha) e de formulações pediátricas são até 12 vezes maiores. No entanto, o acesso a medicamentos mais novos é cada vez mais importante, tendo em vista que um número crescente de pessoas com HIV/aids atualmente sob tratamento com antiretrovirais vai inevitavelmente desenvolver resistência aos medicamentos de primeira escolha e terá que passar a usar as terapias recentes mais caras. Atualmente, MSF oferece tratamento com antiretrovirais para aproximadamente 35 mil pacientes em cerca de 30 países. Aproximadamente 70% dos pacientes tratados nos projetos de MSF recebem uma combinação de dose fixa de três medicamentos – três em um – recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como tratamento de primeira escolha. “Mas já estamos começando a enfrentar a 'crise de segunda escolha' que programas de aids mais novos podem não enfrentar por muitos anos", disse Dr. Felipe Garcia de La Vega, especialista em Aids da Campanha de Acesso a Medicamentos Essenciais de MSF. "Embora nossos resultados clínicos sejam bons até o momento – a taxa média de sobrevivência nos nossos projetos é de 80% após 12 meses de tratamento – alguns dos nossos programas já estão funcionando por mais de cinco anos e estamos tendo que começar a mudar alguns dos nossos pacientes para os tratamentos de segunda escolha, já que eles apresentaram resistência aos medicamentos de primeira escolha". “Hoje, MSF paga menos do que 250 dólares por paciente/ano para os tratamentos de primeira escolha pré-qualificados pela OMS, produzidos por empresas indianas de genéricos. Isto só vem sendo possível porque não havia patentes de medicamentos em países produtores tais como a Índia e o Brasil, e porque houve uma concorrência acirrada dos genéricos", disse Fernando Pascual, farmacêutico e um dos autores do relatório de MSF. "Mas quando trocamos para medicamentos de segunda escolha, os preços sobem de 6 a 12 vezes mais. Tratar uma criança pode ser 4 vezes mais caro do que tratar um adulto", disse Pascual. No dia primeiro de janeiro de 2005, o Acordo da Organização Mundial do Comércio sobre a Propriedade Intelectual Relacionada ao Comércio TRIPS/ADPIC foi implementado na Índia, uma das principais fontes de antiretrovirais genéricos. A Índia deve, a partir de agora, reconhecer patentes de produtos farmacêuticos. Isto pode fazer com que tenhamos apenas um único produtor – o detentor da patente – para os medicamentos mais novos. Na ausência de concorrência, este único fornecedor pode estabelecer um preço de monopólio. Nos projetos de aids de MSF, por exemplo, o número de pacientes tomando Lopinavir/Ritonavir (Kaletra, nome fantasia) e outros antiretrovirais de segunda escolha é pequeno, mas a organização paga preços exorbitantes pelo medicamento. "Na Guatemala, onde MSF oferece antiretrovirais para 1.700 pessoas com HIV/aids, a Abbott cobra 2.66 dólares por cápsula", disse Fernando Pascual. "Embora MSF esteja tratando apenas 11 pacientes com lopinavir/ritonavir, pagamos mais que 5,8 mil dólares por paciente/ano apenas por este medicamento". De acordo com o relatório de MSF, o atual sistema de preços baseado no desconto voluntário oferecido pelas empresas aos países em desenvolvimento não é suficiente para garantir o acesso a medicamentos a preços justos, agora ou no futuro. O problema com este mecanismo, conhecido como 'preços diferenciados', cai em três categorias. Primeiro: alguns medicamentos de fonte única (um só produtor) são simplesmente muito caros. Por exemplo, o preço diferenciado para o Abacavir anunciado pela GlaxoSmithKline é mais do que 800 dólares por paciente/ano em países em desenvolvimento. Segundo: os preços anunciados pelas indústrias farmacêuticas não estão disponíveis de fato porque as indústrias não registraram ou não estão comercializando seus medicamentos nos países. Este é o caso não apenas para certos produtores originais em Moçambique e Camboja, mas também para alguns genéricos na América Latina. Terceiro: algumas empresas não oferecem descontos a países de renda média. A OMS estima que dos 6.5 milhões de pessoas necessitando hoje de antiretrovirais em países em desenvolvimento, cerca de um milhão têm acesso aos medicamentos. A maioria recebe atualmente tratamentos de primeira escolha. Mas muitos precisarão ter acesso a medicamentos de segunda escolha nos próximos anos. As conseqüências já podem ser percebidas em países como o Brasil, que vem oferecendo tratamento com antiretrovirais aos seus pacientes de aids desde 1996. O país gasta hoje 63% do orçamento para compra de medicamentos para aids com três produtos (Lopinavir/Ritonavir da Abbott, Tenofovir da Gilead, e Efavirenz da Merck). “É preciso resolver com urgência o problema dos gastos com aids que estarão altíssimos nos próximos anos, e quem irá atender as necessidades dos pacientes", disse Dr. Garcia de La Vega. "Os países do G8 e outros países doadores estão discutindo o acesso universal de antiretrovirais, mas este acesso permanecerá um objetivo impossível, caso os preços continuem subindo. É fundamental que os governos e as organizações internacionais, como a OMS, tomem e apóiem medidas imediatas – tais como o licenciamento compulsório – permitindo que os países produzam ou importem medicamentos genéricos mais baratos". (1) “Untangling the web of price reductions: a pricing guide for the purchase of ARVs in developing countries”. 8th edition. MSF, 28 de junho de 2005. Fonte: http://www.msf.org.br/noticia/msfNoticiasMostrar.asp?id=481 Consultado em 13/02/2007

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Ativistas não se surpreendem com nota da Interfarma sobre Kaletra. Governo garante ter condições de produzir genérico de qualidade

2017-01-10T17:18:27-03:00junho 29, 2005|Categories: Acervo|

Em nota divulgada ontem para a imprensa e publicada na edição desta quarta-feira, 29, do Correio Braziliense, o presidente executivo da Interfarma, Gabriel Tannus, lamentou a medida adotada pelo governo declarando o Kaletra, anti-retroviral usado no tratamento da Aids, de interesse público. Tannus afirmou que “o Brasil, ao desrespeitar patente do Kaletra, não vai favorecer os doentes de Aids. Sua visão chega ao futuro, e quem vai perder é o país, visto que, dentro de pouco tempo, o remédio estará ultrapassado. O resultado de novas pesquisas mostrará a ineficácia da licença compulsória. Acrescenta que os medicamentos pagos no Brasil são os mais baratos do mundo, perdendo para os países africanos e o Haiti. Nós da Interfarma, não conhecemos nenhum paciente no mundo que esteja em tratamento com uma versão não original de Kaletra. Portanto, os brasileiros serão os primeiros a testar este genérico, assumindo também seus riscos.” A declaração não surpreendeu o presidente do Fórum de ONG/Aids do Estado de São Paulo, Rubens de Oliveira Duda. Duda afirmou que ficaria surpreso se os laboratórios dissessem o contrário e ressaltou que o objetivo do movimento social nunca foi quebrar as patentes dos remédios, mas sim garantir o acesso aos medicamentos. “Se o governo fechar um acordo para a compra do Kaletra com 70% de desconto por cinco anos, nós apoiaremos esta decisão. A gente não acredita que o preço cobrado hoje seja um preço justo”, declarou. Já o coordenador de projetos em DST/Aids do Instituto Viva a Vida, Davi Barros, não acredita que a indústria farmacêutica cessará os investimentos nas pesquisas de novos medicamentos. “Se o Brasil decretar a licença compulsória do Kaletra, os doentes de Aids do mundo inteiro vão pagar por isso?”, perguntou. Barros acrescentou que também não acha que o Programa Nacional de DST/Aids colocaria em risco a vida dos pacientes, nem a sua imagem de melhor programa de Aids do mundo, fornecendo aos soropositivos remédios de qualidade inferior. O ativista demonstra apenas preocupação com a capacidade do Programa Nacional continuar fornecendo o medicamento caso seja adotada a licença compulsória, uma vez que a produção do mesmo começaria no prazo de aproximadamente um ano, segundo o Ministério da Saúde. A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde informou que existe um contrato com a Abbott para fornecimento do Kaletra até meados do ano que vem, tempo suficiente para que seja preparada e iniciada a produção do medicamento no país. Ainda segundo a assessoria, não há razão para que o laboratório quebre este contrato, porque a medida adotada pelo Brasil ao declarar o medicamento de interesse público é totalmente legal. Mesmo que haja uma quebra de contrato, não haverá desabastecimento pois, nesse caso, o Brasil estará respaldado para importar o genérico de outros países, garantiu a assessoria. O diretor adjunto do Programa Nacional de DST/Aids, dr. Ricardo Pio Marins, declarou que algumas empresas estrangeiras foram contatadas e possuem estoque do genérico do Kaletra. “Se existe estoque, é porque existe venda. E se existe a venda, é porque existem pessoas se tratando com o medicamento.” Marins ainda assegurou que o Brasil tem um histórico de produção de genéricos e não teria o sucesso que tem hoje no tratamento dos pacientes se os medicamentos não fossem de boa qualidade. “O Farmanguinhos realiza testes de bio-equivalência e bio-disponibilidade como qualquer laboratório dos Estados Unidos. Não tentaríamos fazer algo que não temos condições de fazer”, afirmou Marins. A assessoria de imprensa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) considera equivocada a declaração de Tannus de que os brasileiros serão os primeiros a testar o genérico, assumindo também os riscos. Segundo a Agência, os testes realizados para a aprovação do genérico são laboratoriais e os pacientes só terão acesso a ele depois de totalmente aprovados, ou seja, se houver garantia de que ele tem a mesma eficácia do original. Fonte: http://www.sistemas.aids.gov.br/imprensa/Noticias.asp?NOTCod=65814 Consultado em 12/02/2007

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EUA “atentos” à quebra de patente de medicamento para aids

2016-02-02T20:46:04-03:00junho 29, 2005|Categories: Acervo|

WASHINGTON - O governo americano informou ontem estar "monitorando atentamente" a quebra de patente de medicamento para a aids decidida pelo Brasil. Segundo um integrante da área comercial do governo americano, "tanto a embaixada em Brasília quanto Washington estão monitorando o assunto de perto". Mas a fonte afirmou ao Valor que "os Estados Unidos são um líder não apenas no desenvolvimento de novos medicamentos, mas também assegurando que os países tenham flexibilidade para usar os instrumentos possíveis, dentro das regras, para combater crises de saúde pública". O governo americano vem recebendo pressão das companhias farmacêuticas para reagir à iniciativa do Ministério da Saúde brasileiro de quebrar a patente do medicamento Kaletra, do laboratório Abbott. Mas o fato de o Brasil estar usando a licença compulsória prevista num acordo aprovado pela OMC não deixa margens a retaliações comerciais diretas.  Fonte: http://www.aids.gov.br/data/Pages/LUMISDA56F374ITEMID9AC4E75F8ADF4232AE26DDA3868AF2C6PTBRIE.htm Consultado em 12/02/2007

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G8 e ONU devem defender acesso a novas drogas anti-aids

2016-02-02T20:46:04-03:00junho 29, 2005|Categories: Acervo|

Os países ricos e a Organização Mundial da Saúde (OMS) devem adotar providências rápidas para garantir que os medicamentos mais recentes contra a Aids cheguem a preços baixos aos países pobres, disse na quarta-feira a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF). O grupo afirmou que medidas como a quebra de patentes de grandes laboratórios é vital para impedir uma crise de oferta e preços. "O acesso às drogas mais novas é cada vez mais importante, pois um crescente número de soropositivos atualmente sob tratamento irá inevitavelmente desenvolver resistência aos tratamentos de primeira linha", disse o MSF em nota divulgada em Genebra. O grupo sugere ainda que os líderes do G8 (clube das nações industrializadas mais ricas), que se reúnem na próxima semana na Escócia, apóiem a idéia do licenciamento compulsório das patentes, o que permitiria que os governos dos países mais pobres fabriquem versões genéricas dos medicamentos. O texto foi divulgado no momento em que a OMS, agência da Organização das Nações Unidas (ONU), informa que, apesar de milhões de pessoas dos países desenvolvidos estarem recebendo medicamentos contra a Aids, é improvável que o mundo atinja sua meta de triplicar o alcance dos tratamentos até o final de 2005. O MSF, que atualmente fornece drogas anti-retrovirais a 35 mil pessoas de cerca de 30 países, disse que está pagando "preços exorbitantes" a empresas que detêm as patentes dos medicamentos mais recentes. Na última edição do seu guia sobre preços dos medicamentos para Aids, o MSF disse que os medicamentos de segunda linha estão custando de seis a 12 vezes mais do que os tratamentos mais antigos nos 49 países menos desenvolvidos do mundo e em toda a África subsaariana. O grupo disse que, entre os 1 milhão de pacientes atualmente sob tratamento e os 5,5 milhões ainda não tratados atualmente, muita gente precisará ter acesso aos medicamentos mais novos nos próximos anos. "É urgente decidir qual será o preço final das drogas nos próximos anos e quem vai arcar com isso", disse Felipe García de la Vega, especialista em Aids do MSF. Embora os países do G8 estejam discutindo como garantir o acesso universal aos anti-retrovirais, "isso continuará sendo uma meta impossível caso os preços continuem a subir", disse ele. "É vital que governos e organizações internacionais como a OMS adotem e encorajem medidas imediatas -- como o licenciamento compulsório -- que permitam aos países produzirem ou importarem genéricos mais acessíveis." O Brasil, que tem um importante programa de tratamento contra a Aids e uma crescente indústria farmacêutica, anunciou a primeira licença compulsória, de uma patente do laboratório norte-americano Abbott, para a produção do anti-retroviral Kaletra. O ministro da Saúde, Humberto Costa, disse que o medicamento será distribuído gratuitamente, como ocorre com outros tratamentos contra a Aids, e poderá ser produzido a 68 centavos de dólar por comprimido, quase metade do 1,17 dólar hoje pago à Abbott. O MSF disse que o atual sistema de preços dos anti-retrovirais, pelos quais os laboratórios dão descontos voluntários aos países mais pobres, "não é suficiente para garantir o acesso aos remédios agora ou no futuro". A entidade afirma ainda que os laboratórios não produzem medicamentos adequados a crianças, que alguns tratamentos são monopólio de um só laboratório e continuam muito caros, apesar dos descontos, e que muitas drogas não são distribuídas em todos os países que delas necessitam. Fonte da notícia: http://www.sistemas.aids.gov.br/imprensa/Noticias.asp?NOTCod=65817 Consultado em 15/02/2007

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