maio 2007

Leia a íntegra da nota oficial da Merck

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Desde 1996, trabalhamos junto ao Ministério da Saúde e com a classe médica na busca de alternativas para ampliar o alcance da população brasileira aos medicamentos para HIV/Aids. O mesmo se passou nesta nova discussão quando, prematuramente, o Ministério da Saúde encerrou as negociações com a Merck Sharp & Dohme. Atualmente, entre todos os medicamentos que fazem parte do coquetel anti-Aids comprados pelo governo brasileiro, o Efavirenz é o que apresenta menor preço. O valor do medicamento praticado pela empresa no Brasil é um dos mais baixos do mundo. Apenas países considerados subdesenvolvidos, de acordo com critérios da ONU (Organização das Nações Unidas) ou onde a porcentagem da população adulta portadora do HIV é considerada alta (superior a 1% do número total de habitantes), os preços são mais baixos que os praticados no país. Em outros países, com situação econômica similar à do Brasil, o preço do comprimido de 600 mg do Efavirenz é de US$ 1,80. Aqui, graças ao avanço nas negociações e em reconhecimento ao Programa Nacional de DST/Aids do governo brasileiro, o valor cobrado é de US$ 1,57. Esse valor é 86% menor que o preço praticado nos EUA e é superior apenas aos preços praticados na África subsaariana e na Tailândia. Na visão da empresa, o licenciamento compulsório não é a melhor solução para o país. Ao ameaçar uma patente, o Brasil transmite um sinal ruim para a comunidade internacional, uma vez que o preço do medicamento segue critérios acordados em fóruns internacionais. Tal ação, como já ressaltado por líderes responsáveis por questões de propriedade intelectual dos Estados Unidos, pode desencadear percepções negativas em relação ao ambiente de negócios no país, bem como às garantias dos investimentos de origem estrangeira. Uma análise na íntegra de nossas propostas seria bastante interessante em todo este processo, o que comprova nosso comprometimento contínuo em discussões que visem a continuidade do Programa Nacional de DST/Aids. Ressaltamos que o valor gasto em pesquisas até que um único medicamento seja lançado no mercado é de cerca de US$ 1 bilhão, e a manutenção das patentes é de extrema importância para que as empresas possam manter seus investimentos em pesquisas. É a única maneira de buscarmos medicamentos cada vez mais modernos e eficazes, que possam melhorar a qualidade de vida do maior número possível de pessoas. Sem um sistema de patentes efetivo e eficaz, há um sério risco de se negar às gerações futuras o benefício de novas drogas. Desde seu lançamento em 1998, reduzimos o preço do anti-retroviral STOCRIN(c) (Efavirenz) em 77%, chegando a um preço que representa apenas uma fração (10%) do preço vigente nos Estados Unidos. Em razão disso, foi possível tratar 155 mil pacientes em 2004 (duas vezes mais que em 1999) com um gasto de aproximadamente R$ 570 milhões, o que representou apenas 1,8% do gasto total do Ministério da Saúde nesse período. Em contrapartida, em 1999, com um gasto total de R$ 622 milhões, cerca de 3,2% dos gastos do Ministério da Saúde, foi possível o tratamento de 78 mil pacientes. Isso prova que, em seis anos de negociações comprometidas com o bem-estar dos pacientes que vivem com HIV/Aids, foi possível dobrar o número de pessoas atendidas e diminuir os gastos do governo. Reforçamos nosso compromisso contínuo na pesquisa de HIV/Aids e com orgulho informamos grandes avanços no desenvolvimento de um inibidor de integrase (gerando uma nova classe de medicamentos ainda mais potentes nesta luta contra a doença), além de vacinas, que certamente representarão duas importantes descobertas para o tratamento de HIV/Aids.

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Temporão não acredita em retaliação de laboratório por causa do licenciamento compulsório

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Brasília - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, fala à imprensa após cerimônia de assinatura de ato de licenciamento compulsório de medicamento anti-retroviral Brasília - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, não teme uma retaliação do laboratório norte-americano Merck Sharp & Dohme pelo fato de o Brasil ter decretado hoje (4) o licenciamento compulsório do remédio Efavirenz. Na prática, com o licenciamento, o Brasil poderá comprar a versão genérica do medicamento (mais barata) ou produzi-lo. "Não acredito [em retaliação]. O Merck é um laboratório que está há décadas no Brasil, comercializa no mercado brasileiro vários produtos. Não tenho nenhum receio que possa haver algum tipo de interesse desse laboratório de se retirar de um mercado tão importante e que cresce ano a ano", disse, em entrevista, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar o decreto do licenciamento compulsório. Mesmo com o licenciamento, o governo brasileiro continuará a remunerar a empresa norte-americana, que detém a patente do Efavirenz, que faz parte do kit de medicamentos antiAids distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e usado no tratamento de 75 mil pessoas no Brasil. De acordo com Temporão, o laboratório receberá 1,5% dos recursos que serão gastos com a compra da versão mais barata. O Brasil passará a comprar o Efavirenz de três laboratórios indianos - Cipla, Ranbaxy e Aurobindo - que cobrarão US$ 0,45 por comprimido, enquanto a Merck cobra US$ 1,59. O genérico produzido pela Índia deve chegar ao Brasil em setembro. De acordo com o Ministério da Saúde, com o preço menor, o custo por paciente cairá de US$ 580 para cerca de US$ 163,22, o que significará uma economia de aproximadamente R$ 60 milhões para os cofres públicos até o final de 2007. Temporão informou que o dinheiro economizado será reinvestido no programa de tratamento da Aids e de outras doenças que afetam os portadores do vírus HIV, como Hepatite B e C. O ministro garantiu ainda que não há risco de desabastecimento do remédio Efavirenz. "Não há possibilidade de desabastecimento. Todo o processo foi planejado", disse Temporão.

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Quebra de patente beneficia 580 curitibanos

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Eles são usuários do remédio anti-Aids Efavirenz O remédio anti-Aids Efavirenz, que teve a licença compulsória decretada, é tomado por 580 curitibanos em tratamento de Aids. A droga podia ser comprada apenas do fabricante norte-americano Merck, Sharp & Dohme. Agora, o remédio pode ser comprado pelo governo brasileiro de outros laboratórios e a preços menores. Com a licença, o Ministério da Saúde economizará cerca de R$ 60 milhões por ano. “Quem depende desse remédio poderá até não perceber a diferença. Mas, com a economia decorrente da mudança das regras, será possível redirecionar os investimentos dentro do próprio programa de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST/Aids), em benefício dos próprios doentes e portadores”, diz o vice-prefeito e secretário municipal da Saúde, Luciano Ducci. O Efavirenz é um dos 17 medicamentos fornecidos pelo Ministério da Saúde para distribuição nos municípios.

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Lula quebra patente de remédio contra AIDS e ameaça laboratórios

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O presidente Lula assinou ontem decreto de licenciamento compulsório do medicamento Efavirenz, do laboratório norte-americano Merck Sharp & Dohme, usado no tratamento de pacientes com AIDS, e avisou que tomará a mesma decisão se outros medicamentos forem vendidos a preços fora da realidade brasileira. A medida inédita permite, por período não estipulado, a importação de versões genéricas e a fabricação do medicamento no país, o que pode ocorrer em um segundo momento. É a primeira vez que o governo conclui o processo de quebra de patente de um medicamento de laboratório multinacional. A partir de setembro, o pretende distribuir na rede pública o genérico produzido por laboratórios da Índia. Cada pílula do anti-retroviral será comprada por 45 centavos de dólar, valor inferior ao 1,56 dólar cobrado pelo Merck. O governo, único comprador do medicamento no Brasil, estima que economizará 30 milhões de dólares por ano com os genéricos, dinheiro que poderá ser revertido para o tratamento de 200 mil pessoas com AIDS. O valor pago ao laboratório chega a 42,9 milhões de dólares ao ano. O ministério pagará ao Merck, a título de royalties, 1,5% do valor total de compra dos genéricos, o que atende, na avaliação do governo, aos acordos de comércio internacional e suaviza o termo quebra de patente. O presidente criticou o laboratório, que estaria cobrando pelo anti-retroviral no Brasil valor mais elevado que em países como a Tailândia. Pagar 1,6 dólar por um remédio vendido em outro país por 60 centavos de dólar é uma coisa grosseira, não só do ponto de vista ético, mas político e econômico , disse. Pacientes que usam o Efavirenz e funcionários do Programa Nacional DST e AIDS participaram da solenidade e aplaudiram com entusiasmo o rápido discurso do presidente. Entusiasmado, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que não foi possível um acordo com o Merck, que propôs reduzir em 30% o valor do medicamento.

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Lula ameaça e diz que pode adotar medida novamente

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou ontem que poderá quebrar mais patentes se outros medicamentos forem vendidos com preços fora da realidade brasileira. Num discurso improvisado, o presidente ressaltou que investirá recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Farmanguinhos, laboratório da Fundação Oswaldo Cruz, do Rio, que mais à frente poderá produzir genéricos para o tratamento de pessoas com aids. "Hoje é o Efavirenz, mas amanhã pode ser para qualquer outro comprimido", disse Lula. "Se não tiver preços justos, não apenas para nós, mas para todo ser humano do planeta, temos de tomar essa decisão", justificou o presidente. "Entre o nosso comércio e a nossa saúde, vamos cuidar da saúde." Especialista em patentes, o advogado Rana Gosain avalia que o direito público da patente dá respaldo ao Brasil em qualquer briga nos tribunais internacionais.

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Brasil quebra patente de remédio contra AIDS

2017-01-10T17:18:20-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Medida permite a importação de versões genéricas e até a fabricação do medicamento no país BRASÍLIA - Pela primeira vez, o governo decidiu concluir o processo de quebra de patente de um medicamento de laboratório multinacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem decreto de licenciamento compulsório do Efavirenz, do americano Merck Sharp & Dohme, usado no tratamento de pacientes com AIDS. A medida inédita permite, por período não estipulado, a importação de versões genéricas e até a fabricação do medicamento no país, o que pode ocorrer num segundo momento. A partir de setembro, o pretende distribuir na rede pública o genérico produzido por laboratórios da Índia. Cada pílula do anti-retroviral será comprada por US$0,45, valor inferior ao US$1,56 cobrado pelo laboratório Merck. O governo, único comprador do medicamento no Brasil, estima que economizará US$30 milhões por ano com os genéricos, um dinheiro que poderá ser revertido para o tratamento de 200 mil pessoas com AIDS. O valor pago ao laboratório por ano chega a US$42,9 milhões. O pagará ao laboratório Merck, a título de royalties, 1,5% do valor total de compra dos genéricos, o que atende, na avaliação do governo, aos acordos de comércio internacional e suaviza o termo "quebra de patente". O presidente criticou o Merck, que estaria cobrando pelo anti-retroviral no Brasil valor mais elevado que em países como a Tailândia. "Pagar US$1,6 por um remédio vendido em outro país por US$0,60 é uma coisa grosseira, não só do ponto de vista ético, mas político e econômico", disse. Pacientes que usam o Efavirenz e funcionários do Programa Nacional DST e AIDS participaram da solenidade em que Lula anunciou a medida. Eles aplaudiram com entusiasmo o rápido discurso do presidente. "Toda descoberta deveria ser fixada como patrimônio da humanidade, o inventor, o criador poderia ganhar o seu dinheiro, mas isso deveria ser da humanidade", disse. "Não é possível alguém ficar rico com a desgraça dos outros". Desde a gestão de José Serra, atual governador de São Paulo, na pasta da Saúde (1998-2002), o governo ameaçava os laboratórios multinacionais com licença compulsória. Primeiro, há um processo de negociação para reduzir os preços dos medicamentos. Depois, o governo divulga portaria declarando o produto de interesse público. Por fim, o presidente da República assina decreto de quebra de patente. Em duas ocasiões, o chegou a anunciar a quebra de patente, mas o governo acabou recuando. Em 2001, o então ministro José Serra anunciou portaria tornando a patente do anti-retroviral Nelfinavir, do suíço Roche, de utilidade pública. O mesmo ocorreu com o medicamento Kaletra, do americano Abbott, em 2005, na gestão do petista Humberto Costa. Depois de repercussão internacional a favor do governo, os dois laboratórios negociaram a redução dos preços. Dos pacientes que recebem medicamentos da rede pública, 38% usam o Efavirenz, segundo o governo. Em entrevista após a solenidade, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que não foi possível um acordo com o presidente mundial do Merck. O laboratório propôs reduzir em 30% o valor do medicamento. O embaixador dos Estados Unidos, Clifford Sobel, telefonou, segundo o ministro, para falar da preocupação com a medida que atingia uma empresa americana. (AE) Multinacionais criticam decisão GENEBRA - As principais multinacionais do setor farmacêutico não poupam o governo brasileiro e criticam a decisão de Brasília de quebrar patentes. Ontem, a Federação Internacional de Indústrias Farmacêuticas atacou a política do governo e alertou que considera a atitude como uma postura de "confronto" por parte do Brasil. Para o setor, o país terá dificuldades para ter acesso a investimentos de empresas do setor farmacêutico para a produção de remédios de ponta no futuro. Composta pelas maiores empresas do mundo, como Novartis, Merck, e presidida por Fred Hassan, executivo da Schering-Plough, a Federação alerta que decretar licenças compulsórias "não é a solução para garantir maior acesso aos remédios". Na avaliação das indústrias, isso somente pode ocorrer por "financiamento adequado e colaboração com as empresas inovadoras que desenvolvem novas terapias e que garantem treinamento e monitoram a segurança nos mercados locais". O grupo também alerta para os eventuais problemas que o país terá no futuro para atrair investimentos nesse setor por parte das multinacionais farmacêuticas. "Com essa atitude, o governo cria uma situação contrária aos incentivos para a produção de novos medicamentos nesses países", afirmou a Federação com sede em Genebra. Já uma das principais organizações não-governamentais no setor de patentes, a Knowledge Ecology International, rebate os argumentos das empresas. "O Brasil está mostrando que o acordo de patentes da OMC não é letra morta", afirma a entidade em um comunicado. (AE)

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Quebra de patente terá economia de US$ 30 mi

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

A patente quebrada foi do efavirenz, com a marca Stocrin, do fabricante norte-americano Merck Sharpe & Dohme. O governo anunciou que importará da Índia cópias não-patenteadas do medicamento LULA DECLAROU que a quebra de patente pode valer para outros remédios, se os preços forem injustos(Foto: RICARDO STUCKERT/PR) Em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou ontem a primeira quebra de patente de um medicamento anti-Aids no Brasil, o efavirenz do laboratório norte-americano Merck Sharpe & Dohme, e ameaçou repetir a medida com outros fabricantes, se considerar que os preços praticados são injustos. O governo pretende importar cópias não-patenteadas do remédio, fabricadas por três laboratórios da Índia. Com isso, estima economizar US$ 30 milhões em 2007 com a troca. Diz que não há perda de qualidade ou risco de desabastecimento. "É um passo importante. Vale para este remédio, mas para tantos outros quanto necessário'' - afirmou Lula. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, declarou que no momento não há outros remédios sob ameaça de licenciamento compulsório. O licenciamento afeta duas patentes, a do efavirenz (expira em 2012) e a de um componente do processo de fabricação (2016). O licenciamento pode ser prorrogado. O governo não poderá comercializar os remédios importados dos laboratórios indianos Ranbaxy, Cipla e Aurobindo. Poderá apenas distribuí-los em seus programas de saúde. O governo tentou pressionar a Merck a reduzir o preço do Stocrin (nome de marca do efavirenz) de US$ 1,59 para US$ 0,65 (comprimido de 600 mg). Em 24 de abril, portaria declarou de interesse público do remédio. Na sexta passada, houve uma contraproposta de 30%, que não foi considerada "séria''. A exigência era 60%. A ameaça de quebra já rendeu descontos em dois anti-retrovirais, que inibem a multiplicação do HIV. Em 2001, José Serra (PSDB), então ministro da Saúde, ameaçou quebrar a do Nelfinavir da Roche. Em 2003, Humberto Costa (PT) usou a mesma estratégia com o Kaletra, da Abbott. O efavirenz é distribuído hoje a cerca de 75 mil pacientes gratuitamente e o custo programado antes da quebra da patente era de US$ 42 milhões. O governo sustenta que a patente continua respeitada porque haverá pagamento de 1,5% de royalties para Merck, exigência que consta do acordo Trips, de propriedade intelectual, da OMC para casos de licenciamento compulsório em situações de emergência nacional ou interesse público. No caso de anti-retrovirais, Tailândia, Malásia, Indonésia e Moçambique já quebraram patentes, mas houve retaliações. O País pretende fabricar o efavirenz no futuro. Mas é incerto se isso será possível a curto prazo, já que era a Merck que faria a transferência de tecnologia para o Brasil. (da Folhapress) ENTENDA O CASO - Como foram as negociações entre o governo federal e a Merck Sharpe & Dohme em relação ao preço do Efavirenz 1 -O que o laboratório ofereceu* Redução de 30% no preço de US$ 1,59 a unidade ou US$ 580 por paciente/ano 2 -O que o governo quer* Pagar US$ 0,65 por unidade ou US$ 246 por paciente/ano 3 - Contraproposta da Merck* US$ 1,11 por comprimido 4 -Preço do genérico* US$ 0,45 por comprimido 5 -Possível solução O governo quer quebrar a patente do medicamento, que vale até 2012, e comprar o genérico da Índia - Previsão de custo com Efavirenz da Merck neste ano: US$ 43 milhões - Previsão de economia com o licenciamento compulsório: US$ 30 milhões *comprimido de 600 mg PERGUNTAS E RESPOSTAS O que é patente? - É a proteção jurídica de uma criação intelectual, que permite ao dono da patente ser o único a fabricar o produto ou que autorize a fabricação por outras empresas por um determinado período. Há proteção territorial, ou seja, cada país tem seu próprio sistema de registro. No Brasil, a patente é protegida por 20 anos O que é licenciamento compulsório? - O dono da patente fica obrigado a autorizar a fabricação de seu produto por outra empresa. O licenciamento compulsório do medicamento Efavirenz decretado ontem pelo presidente Lula permite seu uso até 2012 Por que a Índia pode fabricar esses medicamentos? - Porque o país não reconhece a propriedade de fármacos, e já chegou a sofrer retaliações comerciais por isso. Como é feito o registro da patente? - O interessado precisa registrar o pedido nos países que lhe interessar. Por exemplo, se o dono da patente tem interesse em vender o produto no Brasil e no Japão, poderá registrá-la apenas nesses dois países. O registro no PCT garante o direito da patente, por 30 meses, nos 184 países que subscrevem o tratado.

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Merck diz que baixou o preço

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O laboratório Merck Sharp & Dohme, que fabrica o medicamento anti-AIDS Efavirenz, avaliou ontem que a quebra de patente determinada pelo governo brasileiro é um sinal negativo para a comunidade internacional. Em nota, a empresa argumenta que a medida desrespeita acordos firmados em fóruns internacionais. No texto, o laboratório informa ter reduzido o preço do remédio em 77% desde seu lançamento, em 1998, e sustenta que o valor proposto para o mercado brasileiro é de 1,57 dólar, enquanto outros países, de economia similar, pagam 1,80. O Merck Sharp & Dohme reclama que o encerrou as negociações de forma prematura. Ressalta que, em seis anos de tratativas com o governo brasileiro, foi possível fixar um preço para o Efavirenz que corresponde a 10% do que é cobrado nos Estados Unidos. O produto só custaria mais barato na África subsaariana e na Tailândia. O laboratório salienta que esse acerto permitiu ao atender 155 mil pacientes com o produto em 2004, gastando R$ 570 milhões. Em 1999, conforme a empresa, o remédio havia sido disponibilizado para 78 mil pessoas, com despesas de R$ 622 milhões. O Efavirenz é citado como o medicamento de menor preço entre todos os que fazem parte do coquetel anti-AIDS comprado pelo Brasil. O fabricante alega que é preciso manter as patentes para preservar os investimentos em pesquisas, que podem chegar a 1 bilhão de dólares.

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Lula quebra patente e ameaça laboratórios

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Em cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou a primeira quebra de patente de um medicamento no Brasil _o efavirenz do laboratório americano Merck Sharpe&Dohme _e ameaçou repetir a medida. 'Vale para este remédio, mas para tantos outros quanto for necessário', disse Lula. 'Entre o nosso comércio e a nossa saúde, vamos cuidar da nossa saúde'. DA SUCURSAL DE BRASÍLIA Em cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou ontem a primeira quebra de patente de um medicamento no Brasil -o Efavirenz, do laboratório americano Merck Sharp&Dohme, usado no tratamento da AIDS -e ameaçou repetir a medida com outros fabricantes se considerar que os preços praticados são injustos. O governo pretende importar cópias não-patenteadas do remédio, fabricadas por três laboratórios da Índia, e estima economizar US$ 30 milhões em 2007 com a troca. Diz que não há perda de qualidade ou risco de desabastecimento. "[É] um passo importante. Vale para este remédio, mas para tantos outros quanto necessário", disse Lula. "Se não tiver com os preços justos, não apenas para nós, mas para todo ser humano no planeta que está infectado, temos que tomar essa decisão. Afinal de contas, entre o nosso comércio e a nossa saúde, vamos cuidar da nossa saúde", disse, sob aplausos e urros de funcionários ou profissionais ligados ao programa DST/ Aids do governo. Após a cerimônia, o ministro José Gomes Temporão (Saúde) disse que no momento não há outros remédios sob ameaça de licenciamento compulsório. Para ele, o país continuará tendo "uma relação aberta, transparente e franca" com todos os laboratórios fornecedores e garantiu que não há uma lista de "próximos" para o licenciamento compulsório. Na realidade, o licenciamento afeta duas patentes, a do Efavirenz (expira em 2012) e a de um componente do processo de fabricação (2016). O licenciamento vale até 2012 mas pode ser prorrogado. O governo não poderá comercializar os remédios importados dos laboratórios indianos Ranbaxy, Cipla e Aurobindo. Poderá apenas distribuí-los em seus programas de saúde. O governo tentou pressionar a Merck a reduzir o preço do Stocrin (nome de marca do Efavirenz) de US$ 1,59 para US$ 0,65 (comprimido de 600mg). As negociações começaram em novembro de 2006. Em 24 de abril, portaria declarou o "interesse público" do remédio. Na sexta passada, houve uma contraproposta de 30%, que não foi considerada "séria". A exigência era 60%. A ameaça de quebra já rendeu descontos em dois antiretrovirais (que inibem a multiplicação do HIV). Em 2001, José Serra (PSDB), então ministro, ameaçou quebrar a patente do Nelfinavir da Roche. Em 2003, Humberto Costa (PT) usou a mesma estratégia com o Kaletra, da Abbott. O Efavirenz é distribuído hoje a cerca de 75 mil pacientes gratuitamente, e o custo programado antes da quebra da patente era de US$ 42 milhões. A quebra da patente foi comemorada por uma claque eufórica, que até cantou o Hino Nacional, no evento do Palácio. Em seu discurso, Lula disse que o governo tomou todos os cuidados na elaboração da medida a fim de evitar uma punição por parte da OMC (Organização Mundial do Comércio). O Brasil sustenta que a patente continua respeitada porque haverá pagamento de 1,5% de royalties para Merck -exigência que consta do acordo Trips, de propriedade intelectual, da OMC para casos de licenciamento compulsório em situações de emergência nacional ou interesse público. "O Brasil não pode ser tratado como se fosse um país que não merece ser respeitado, ou seja, pagarmos US$ 1,60, quando o mesmo remédio é vendido para outro país a US$ 0,60", disse Lula. "É um desrespeito. Como se o doente brasileiro fosse inferior ao da Malásia." O governo diz que países desenvolvidos também já fizeram o licenciamento compulsório. Seria o caso da Itália, que quebrou patente de três remédios (para hipertrofia de próstata, enxaqueca e um antibiótico). No caso de antiretrovirais, Tailândia, Malásia, Indonésia e Moçambique já quebraram patentes, mas houve retaliações. Lula e Temporão também criticaram governos passados, sem citar nomes, pela "destruição da indústria farmo-química de base" durante o final dos anos 80 e os anos 90. Frases "O Brasil não pode ser tratado como se fosse um país que não merece ser respeitado, ou seja, pagarmos 1 dólar e 60 centavos, quando o mesmo remédio é vendido para outro países a 60 centavos de dólar" "Hoje é o Efavirenz, mas amanhã pode ser qualquer outro comprimido Não é possível alguém ficar rico com a desgraça dos outros" LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA presidente "A Merck é um laboratório que está há décadas no Brasil e comercializa vários produtos. Não tenho nenhum receio de que possa haver interesse desse laboratório de se retirar de um mercado tão importante" JOSÉ GOMES TEMPORÃO ministro da Saúde

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Decisão histórica

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Lula quebra patente de medicamento contra AIDS O presidente Luiz Inácio Lula da silva assinou, ontem, ato determinando a quebra de patente do medicamento Efavirenz, utilizado no tratamento contra a AIDS. O medicamento é produzido pelo laboratório Merck Sharp & Dohme. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, explicou, durante a solenidade de assinatura do ato, o processo de quebra de patente. Ele informou que recebeu telefonemas da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília e do laboratório Merck para conversar sobre o assunto. Em parecer encaminhado ao Palácio do Planalto, Temporão informou que a mesma pílula do remédio vendida no mercado nacional por US$ 1,59 (cerca de R$ 3,21) sai por US$ 0,65 (cerca de R$ 1,31) na Tailândia. Pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), depois de decretar o licenciamento compulsório o Brasil poderá importar, da Índia, uma droga substituta do Efavirenz, por um preço equivalente a um quarto do que paga hoje ao detentor da patente, o laboratório norte-americano Merck. Esta é a primeira vez que o Brasil recorrerá à medida, prevista no Acordo de Propriedade Industrial (Trips) da OMC. O Brasil teria de pagar US$ 42,9 milhões à Merck pelo fornecimento da droga a cerca de 75 mil pacientes de AIDS durante um ano. Duas propostas da Merck, reduzindo o preço da droga em até 30% foram recusadas pelo Ministério. Ao assinar o decreto que quebra a patente do medicamento Efavirenz, o presidente Lula disse que o mesmo pode acontecer com outros medicamentos, no futuro. "Hoje vale para este remédio, amanhã vale para qualquer outro", afirmou o presidente. Segundo o presidente, o licenciamento compulsório (quebra de patentes) pode ocorrer caso os preços não estejam dentro da realidade brasileira. "Não é possível alguém ficar rico com a desgraça dos outros", afirmou, sob aplausos de funcionários do e pacientes. "Não só do ponto de vista ético é uma grosseria, como do ponto de vista político-econômico é um desrespeito." E completou: "Entre o nosso comércio e a nossa saúde, vamos cuidar da nossa saúde". "A compra começará a ser feita imediatamente, por meio de organismos internacionais, como Unicef e Organização Pan-Americana de Saúde", disse o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, acrescentando que o Efavirenz será substituído pelo genérico indiano a partir de setembro. Ainda no discurso, Lula reafirmou que pretende fazer no segundo mandato o que não foi possível fazer no primeiro. "Sessenta e um por cento do povo brasileiro me deu o segundo mandato para fazer o que não foi possível fazer no primeiro", disse. "Não abriremos mão de cuidar do nosso povo e queremos cuidar dos nossos companheiros com AIDS", acrescentou. O representante dos pacientes de AIDS no Conselho Nacional de Saúde, José Marcos Oliveira, discursou na cerimônia e elogiou o licenciamento, que classificou como "momento histórico." "Esta é uma resposta do governo ao movimento social organizado. Os interesses econômicos jamais estarão acima do direito à saúde e do direito à vida", disse Oliveira. Temporão disse que o licenciamento foi "uma decisão madura, dentro da legislação internacional e das leis brasileiras", mas não será adotado como regra quando houver possibilidade de negociar preços com os laboratórios. "Estamos neste momento negociando com um grande laboratório a redução de preço de outro produto e as negociações caminham muito bem", disse o ministro. "Acho que este foi um caso muito especial em que o Brasil de maneira firme defendeu o interesse público", acrescentou, responsabilizando a Merck pela frustração das negociações sobre o Efavirenz.

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