No nosso novo artigo da coluna Saúde não é mercadoria, Susana van der Ploeg, coordenadora do Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual (GTPI), expõe uma verdade incômoda: a tuberculose segue matando mais de 1,2 milhão de pessoas por ano no mundo não por ausência de medicamentos, mas por negligência política, desigualdades estruturais e um modelo de inovação capturado por interesses comerciais. Assim como as Doenças Tropicais Negligenciadas, a tuberculose atinge principalmente populações marcadas pela pobreza, racismo, estigma e exclusão histórica das políticas públicas.

O artigo destaca que comprar medicamentos não é sinônimo de garantir acesso ao cuidado. Monopólios farmacêuticos, preços abusivos, falta de transparência e subfinanciamento crônico da pesquisa e desenvolvimento em tuberculose, especialmente em vacinas, drenam recursos do SUS e inviabilizam respostas sustentáveis.

Tabela Política de Tuberculose (2025), ferramenta de monitoramento criada pelo GTPI, mostra que o Brasil paga até mais que o dobro dos menores preços internacionais em esquemas básicos de tratamento: o país paga R$ 443,52 enquanto preços internacionais de referência indicam valores em torno de R$ 206,08. Preços inflados não são um detalhe técnico: eles ameaçam a sustentabilidade do SUS, comprometendo investimentos em equipes de saúde, busca ativa de casos e proteção social, e aprofundam desigualdades no acesso.

A autora também chama atenção para o Programa Brasil Saudável: Unir para Cuidar, uma iniciativa que reconhece a tuberculose como doença de determinação social e aposta em políticas intersetoriais. Apesar do potencial transformador, o programa ainda carece de centralidade política, orçamento e execução efetiva. A mensagem é direta: sem enfrentar patentes abusivas, desigualdades sociais e falhas no cuidado, seguiremos comprando medicamentos e enterrando pessoas.

Saúde não é mercadoria. Tuberculose se enfrenta com cuidado, justiça social e políticas públicas orientadas à vida.

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